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Abaixo as dicas de quem já foi e tem muito a ensinar:
NARIZ SECO
Santiago tem índices muito baixos de umidade relativa do ar ; e é muuuito poluída. Assim, leve junto um descongestionante nasal, e peça, na portaria dos hotéis, um umidificador (todos tem...) e deixe-o ligado todo o tempo !
METRÔ
O metrô de Santiago é limpo, bem sinalizado, eficiente. as pessoas são amáveis, tudo limpinho, cheirosinho e ainda é barato,assim, pode usar e abusar.
PROVIDENCIA
O bairro foi feito para ser caminhado. Uma delícia, cheio de lojas, boutiques, galerias de arte, calçadas bonitas... é arborizado, bem frequentado, têm arquitetura colonial misturada com edifícios alucinantes... o lugar fashion da cidade.
Tire a preguiça do corpo e vá caminhar muito por lá !
MARTA MEDEIROS
A Marta escreveu ( olha a intimidade... ) um livro sobre o Chile. Vale a pena lêr antes de ir prá lá, pois é cheio de dicas e impressões. E impressões dela sempre valem a pena serem conhecidas, né ?
NOITE NO CENTRÃO
Fique um pouco... alerta, se tiver que caminhar no centro ( centrão ) à noite. Como todos os centros de grandes cidades, reúne muito tipo de gente - e você tem cara de não ser dalí, pode ter certeza.
Não seja um alvo fácil, pelo menos...
HAPPY HOUR
Posso falar de Santiago... o happy hour do Hotel Hyatt é imperdível !
( jeff medeiros )
COMPRAR VINHOS ?
Quer comprar bons vinhos chilenos ? a maior boutique de vinhos da américa é " El mundo del vino " , tem 3 em Santiago, e uma delas fica no bairro Las Condes, pertinho do Hyatt.
( Mr Jeff )
GOSTA DE CORRER ?
Esta semana andei dando umas trotadinhas por lá... a Avenida Americo Vespucio Norte é ÓTIMA prá quem gosta de street, pois tem um canteiro central largo e arborizado, longo e com aparelhos para training.
Prá quem gosta de parque, o Parque Arauco, perto do Hyatt e do Marriott, é inderrotável.
O VELHO
Quando você estiver subindo para o Valle Nevado, olhando as montanhas e sentindo a magia penetrar em sua alma, verá uma casinha na beira do caminho ; madeirinha e papelões, pedras e pedras.
Pode ser que O Velho esteja por alí, cortando sua lenha e sorrindo muito.
Ele mora por alí há mil anos, sabe tudo da montanha e das gentes, por isso este riso constante.
Se você precisar de ajuda, não tenha dúvida, O Velho o irá ajudar, nem precisa pedir. E se você quiser retribuir, ele abanará suas grandes mãos, murmurando o seu gracias, muchas gracias, e dizendo com os olhos que já tem tudo o que precisa.
LOJAS DE EQUIPAMENTO
Na Avenida Las Condes, caminho para o Valle Nevado ( mas ainda perto do centro, dá prá ir de buzunca ! ) há, exatamente, seis lojas especializadas em equipamento de ski e snowboard.
Ficam perto umas das outras, tudo pode ser visto à pé.
Véio, tem TUDO lá, incluindo equipamento usado, com ótimos preços.
LOJÕES ENORMÕES
Santiago tem lojas enormes. Mega-Lojas, deveriam dar patinetes aos seus frequentadores. Tetos altíssimos, só olho sempre de fora, imagino que devam vender coisas tipo varas de pesca, escadas-caracol...
O importante é que os caras a-do-ram estas mega-lojas ; se você tem saudades da Mesbla, vai lá e a finada vai parecer boutique de Milão. Ah, vendem tudo, t-u-d-o.
PARQUE ARAUCO
O assunto era prá " entretenimento/passeios " , pero... caminhar alí é muuuito bom. Você está no coração de uma grande cidade ( 5 milhões de hermanos ! ) , prédios higth-tech em volta e, puxa, aquela cordilheira enorme, branca, majestosa por trás de tudo, fazendo com que as proporções das coisas fiquem, mmm, bem claras. Alamedas, flores, e os sempre simpáticos chilenos passeando com carrinhos de bebê. Leve a câmera, vai ter foto da patroa sorrindo, com um morrão enorme de moldura.
REPORTAGEM SOBRE SANTIAGO
Veja essa reportagem de Yoko Nakamura para a Revista Turismo sobre a cidade de Santiago do Chile:
Cercada pela Cordilheira dos Andes, a capital chilena é uma das cidades mais modernas da América do Sul. Entre seus atrativos estão inúmeros parques, museus, igrejas e uma intensa vida noturna.
O Chile é um país estreito situado na costa do oceano Pacífico fazendo fronteiras com o Peru, Bolívia e Argentina. Sua língua oficial é o espanhol e sua moeda o peso chileno. A população é mestiça de europeus e indígenas cujas tradições são cultivadas em algumas partes do país.
Os chilenos são muito agradáveis e hospitaleiros com todos os estrangeiros tornando o passeio pelo país bastante agradável.
Santiago está a 520 metros de altura, próximo à Cordilheira dos Andes sendo a principal cidade do Chile comercialmente e culturalmente.No verão, quando a temperatura média é de 22ºC, a cidade torna-se mais tranqüila – os moradores aproveitam para visitar as praias banhadas pelo oceano Pacífico, principalmente os balneários de Viña del Mar e Valparaíso.
No inverno, a temperatura fica poucos graus acima de zero, o que dá à cidade novo atrativo, tornando-a ponto de partida para as estações de esqui.
Na segunda metade de novembro realiza-se a Feira Internacional do Vinho do Hemisfério Sul. É a maior festa de Santiago e dela participam produtores de todo mundo.
O vinho chileno é considerado pelos especialistas um dos melhores do mundo, graças ao clima ideal para o plantio da uva. Na periferia de Santiago há vinícolas que mantêm programas de visitas com direito a degustação e acompanhamento de guias especializados
O Mercado Central é uma boa opção para conhecer restaurantes especializados em peixes e frutos do mar, pela qualidade e variedade de ofertas, garantidas pela proximidade do mar e pela corrente de água gelada que banha o litoral chileno.
Santiago foi fundada em 1541 pelo conquistador espanhol Pedro Valdívia e chegou a sua independência em 1818 se tornando capital da nação.Santiago possui muitas atrações como o Museu de História Natural com coleções pré-colombianas, o Museu de Arte Contemporânea e o Museu de Solidariedade de Salvador Allende com criações contemporâneas de diversos artistas do mundo.
Mas seu maior tesouro está nos parques e suas paisagens maravilhosas próximo à Cordilheira dos Andes.Um dos lugares próximos a Santiago é O Monumento Natural de El Morado.
Apenas há uma hora de distância de Santiago, este parque possui uma beleza ímpar. No caminho você encontra uma pequena cidade conhecida como a Vila de Banhos Morales, com águas termais que levam o mesmo nome.
A entrada da reserva se encontra cruzando o Rio Morales e possui um Centro de Informações ao Turista. Devido às condições climáticas, o parque fica fechado de Maio à Setembro onde alcança baixíssimas temperaturas e grande quantidade de neve, porém nos outros meses do ano ( de dezembro a março) possui condições bastante agradáveis para acampar e passear pelo parque.
Quando visitar os Parques não esqueça:
Não corte as flores nem as plantas que são parte essencial do ecossistema
Não perturbe a fauna local
Caminhe pelas trilhas, para não maltratar a vegetação.
Se for acampar não deixe nenhum rastro que esteve lá, recolha seu lixo. Desta maneira todos poderão desfrutar desta beleza igualmente.
Leve protetor solar, creme hidratante e caixa de primeiros socorros.
Não esqueça de roupa especial para neve se estiver no inverno
Reportagem : Yoko Nakamura
Revista Turismo / Março de 2001
É uma boa dica para quem vai passar as férias em Santiago do Chile.
www.revistaturismo.com.br
Chile: Santiago reluz mesmo sem cordilheira
Santiago é uma capital que cabe na palma da mão. Cidade feita para ser percorrida a pé, em que o visitante tem sempre um guia à disposição. Perdeu-se? Olhe para o lado, veja onde está a cordilheira dos Andes. Lá é o leste. Ou oriente, como os donos da casa preferem. Pena que se esconda cada vez mais. Não que a culpa seja dela. Pelo menos não totalmente.
A poluição gerada por seus quase 6 milhões de habitantes da cidade enevoa os montes. E lá fica, justamente porque as montanhas que cercam a cidade impedem a dissipação dos poluentes. Os contornos melhoram nos fins de semana --com ruas mais vazias--, mas não muito.
Jaime Bórquez
Mirante no cerro San Cristóbal, de onde se vê a cidade inteira
"A situação tende a melhorar, pois existem vários programas de controle de emissão de poluentes. Mas alguns aspectos de visibilidade não estão somente associados com a poluição mas também com a neblina", diz Maria de Fátima Andrade, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.
Se as montanhas se escondem na paisagem, escolha outra orientação. Uma alternativa é a avenida Libertador Bernardo O'Higgins, a principal rua da cidade --conhecida pela alcunha de Alameda--, que corta vários bairros e empresta o curso para a principal linha do metrô --que, aliás, é abarrotado, mas silencioso (há pneus diminuindo o atrito dos trens com os trilhos).
Outro guia é o rio Mapocho, que, limpo, mas com águas escuras, estabelece a fronteira entre vários bairros. A oeste está o centro, com os famigerados palácio de la Moneda e plaza de Armas. Pouco mais além, do outro lado do Mapocho, Bellavista e suas casas coloridas, que servem de palco para restaurantes turísticos e casas de jazz envolventes (sim, Santiago tem seu lado Nova Orleans). Ainda mais além, atravessando novamente o rio, fica Providencia, outra zona boêmia, com pitadas de ruas comerciais.
Envolvendo tudo, ruas limpas, trânsito organizado, táxis razoáveis (no preço e nos carros; a bandeirada é de 200 pesos chilenos; R$ 0,84), ônibus velhos, mas baratos (menos de R$ 1,50). E um povo que adora os brasileiros. Você pode arriscar seu melhor espanhol que eles sempre vão querer travar conversas em português --ou melhor, espanhol com duas ou três palavras em nosso idioma.
Seja bem-vindo
Jaime Bórquez
Corredor no Parque Florestal
O primeiro passeio a ser feito em Santiago tem de incluir certa escalada. É preciso ser apresentado à cidade lá do alto: para contemplar a cordilheira e entender a arquitetura dos bairros.
Para isso, é só escolher um dos cerros (colinas) que foram transformados em parques urbanos: o San Cristóbal e o Santa Lucia.
O primeiro, chamado oficialmente de Parque Metropolitano de Santiago, é considerado o maior do Chile, com 712 hectares. No topo, lembrando nosso Redentor, uma imagem de 14 metros da Imaculada Conceição. Para chegar ao alto, você pode subir de bonde (entrando pela calle Pio Nono) ou de teleférico (pela Pedro de Valdívia) ou caminhar (e muito, com a ressalva de que as ruas são vazias demais).
Se escolher o teleférico, ao entrar no carrinho, uma placa avisará que, em caso de falta de energia, os motores de emergência colocarão o mecanismo em funcionamento. Isso é verdade, mas você pode ficar uns dez minutos pendurado, a uns 20 metros de altura, até que isso aconteça. Ou seja, quem tem medo de altura não vai apreciar muito a vista.
Nesse caso, é melhor subir as escadas do cerro Santa Lucia, que tem uma fonte no estilo da romana fontana di Trevi. O mirante não é como o topo de San Cristóbal, mas, em época de poluição, pode não fazer tanta diferença.
Seja qual for sua opção, quando estiver no alto, fique alguns minutos olhando a cidade, reconhecendo a alameda, os bairros, a posição das montanhas. Entendeu como tudo funciona? Então desça, siga os roteiros e explore Santiago.
Juliana Doretto viajou a convite da Lufthansa e da Swiss
www.folha.uol.com.br
MATÉRIA SOBRE O CHILE NA REVISTA VIAGEM
Já para Cumbica!
Os caminhos da capital e muito mais além
Cercada pelos Andes e seus picos nevados, Santiago, a capital chilena, convida às caminhadas (é, como Buenos Aires, bastante plana). Seu marco mais famoso é o Palacio de la Moneda (Plaza de la Constitución, 562/690-4236; agende visita interna com 15 dias de antecedência pelo site presidencia.cl), que a cada dois dias brinda os visitantes com a troca da guarda, às 10h. Vá fundo: os militares chilenos já se acalmaram.
A poucos quarteirões dali está a Plaza de Armas, com sua bela Catedral Metropolitana, a Casa Colorada (de 1769, que hoje abriga o Museu de Santiago), a Municipalidad e o Palacio de la Real Audiencia (sede do Museu Histórico Nacional). O caminho passa obrigatoriamente pelos calçadões Paseo Ahumada e Huérfanos, com parada nos cafés "con piernas" (garotas de minissaias cuidam do serviço), como o Haití ou o Caribe, nos números 140 e 120 do Ahumada, respectivamente. Se for para investir em uma visita, escolha o Museu Chileno de Arte Precolombiano (Bandera,361, 562/688-7348), que abriga mais de 5 mil anos de história dos povos pré-colombianos.
Caso prefira ter uma idéia mais geral de Santiago, pegue um táxi e percorra os mais de 20 quilômetros da Avenida Libertador Bernardo O'Higgins, a "Alameda": ela corta praticamente toda a cidade. O Cerro Santa Lucia é uma boa parada - a vista do alto é linda, assim como o árduo caminho para quem abre mão do elevador para chegar ao topo.
É difícil pensar em Santiago sem o seu Mercado Central (Calle San Pablo), cheio de frutos do mar extravagantes para gente como nós, que vivemos do lado do Atlântico. Ali fica um dos restaurantes mais apreciados dos chilenos: o Donde Augusto (562/821-2678, dondeaugusto.cl; Cc: todos). Os menus completos saem desde US$ 8,50. Almoce lá, mas guarde uma noite para um jantar "sensual" no Como Agua para Chocolate (Constituición, 88, Providencia, 562/777-8740, reservas pelo site comoaguaparachocolate.cl; Cc: todos). Em meio a uma vila mexicana de mentirinha, experimente o que eles chamam de cozinha afrodisíaca. Uma sugestão é o filete y ave (US$ 30; serve duas pessoas).
À noite, os bairros de Bellavista, Nuñoa e Providencia são os mais badalados. Para dançar salsa, vá ao Habana Salsa (Domínica, 142, 562/737-1737). E, se quiser um pub classudo, o Boomerang (General Holley, 2285, 562/334-5457) também dubla como restaurante. E o La Batuta (Jorge Washington, 52, Plaza Nuñoa, 562/274-7096) tem apelo histórico: é o lugar mais antigo ainda em funcionamento da cidade, com música ao vivo. Para ser mais preciso: rock ao vivo.
Apesar de muito moderna - o Chile foi o primeiro país da América do Sul a se "globalizar", ainda no começo dos anos 90 -, Santiago pode parecer um tanto claustrofóbica depois de um bom par de dias. Então aproveite para fazer viagens de carro. De Santigo até o extremo norte do país, o lindo Deserto de Atacama, são 1 670 quilômetros de uma viagem bastante tranqüila pela estrada Panamericana. O caminho tem vinhedos, praias desertas e penhascos altíssimos que sobem abruptamente do mar. Já na direção sul, a cerca de mil quilômetros, estão Puerto Montt e a região dos lagos emoldurados por belos vulcões, como o Osorno, com seu perfeito cone nevado. Se preferir fazer uma viagem de um dia apenas, saindo de Santiago, pegue a boa autopista que leva a Valparaíso e Viña del Mar, as cidades à beira do Pacífico a cerca de 120 quilômetros a noroeste da capital.
É difícil pensar em Santiago sem o seu Mercado Central (Calle San Pablo), cheio de frutos do mar extravagantes para gente como nós, que vivemos do lado do Atlântico. Ali fica um dos restaurantes mais apreciados dos chilenos: o Donde Augusto (562/821-2678, dondeaugusto.cl; Cc: todos). Os menus completos saem desde US$ 8,50. Almoce lá, mas guarde uma noite para um jantar "sensual" no Como Agua para Chocolate (Constituición, 88, Providencia, 562/777-8740, reservas pelo site comoaguaparachocolate.cl; Cc: todos). Em meio a uma vila mexicana de mentirinha, experimente o que eles chamam de cozinha afrodisíaca. Uma sugestão é o filete y ave (US$ 30; serve duas pessoas).
À noite, os bairros de Bellavista, Nuñoa e Providencia são os mais badalados. Para dançar salsa, vá ao Habana Salsa (Domínica, 142, 562/737-1737). E, se quiser um pub classudo, o Boomerang (General Holley, 2285, 562/334-5457) também dubla como restaurante. E o La Batuta (Jorge Washington, 52, Plaza Nuñoa, 562/274-7096) tem apelo histórico: é o lugar mais antigo ainda em funcionamento da cidade, com música ao vivo. Para ser mais preciso: rock ao vivo.
Apesar de muito moderna - o Chile foi o primeiro país da América do Sul a se "globalizar", ainda no começo dos anos 90 -, Santiago pode parecer um tanto claustrofóbica depois de um bom par de dias. Então aproveite para fazer viagens de carro. De Santigo até o extremo norte do país, o lindo Deserto de Atacama, são 1 670 quilômetros de uma viagem bastante tranqüila pela estrada Panamericana. O caminho tem vinhedos, praias desertas e penhascos altíssimos que sobem abruptamente do mar. Já na direção sul, a cerca de mil quilômetros, estão Puerto Montt e a região dos lagos emoldurados por belos vulcões, como o Osorno, com seu perfeito cone nevado. Se preferir fazer uma viagem de um dia apenas, saindo de Santiago, pegue a boa autopista que leva a Valparaíso e Viña del Mar, as cidades à beira do Pacífico a cerca de 120 quilômetros a noroeste da capital.
Por: Edição - Paulo Vieira e Fabrício Brasiliense | Foto: Rogério Voltan
Matéria publicada na Revista Viagem e Turismo
viajeaqui.abril.com.br
Santiago vale mais que um "pit stop" rumo às estações de esqui
Santiago vale mais que um "pit stop" rumo às estações de esqui
ROBERTO DE OLIVEIRA
da Revista da Folha
Se você pretende seguir viagem em direção às estações de inverno do outro lado dos Andes, reserve um espaço a mais na bagagem para outro cachecol e um casacão mais urbano, que combinem com um par de tênis surrado, bem confortável. Ao embarcar para os points de esqui no Chile, como Valle Nevado, Portillo e Termas de Chillán, considere uma pausa em Santiago, capital do Chile. Vale a pena.
Nem tão charmosa quanto Buenos Aires nem pitoresca como La Paz, Santiago tem encantos de outra sorte. É civilizada, moderna, histórica e bonita. Como lá não existe um emaranhado de edifícios altos (os prédios são mais baixos por precaução aos tremores de terra), assiste-se a uma imagem privilegiada dos montes cobertos de neve.
Nos dias secos, os mais sensíveis podem até reclamar da poluição. Devido à sua localização geográfica, entre duas cadeias montanhosas, Santiago sofre com as condições atmosféricas. Mas, se tiver sorte de encontrar um dia limpo, um funicular leva até o morro San Cristóbal, de onde se tem a melhor vista panorâmica da capital chilena.
Esqueça carros e trânsito --no caso de Santiago, não tão caótico como La Paz, Lima e São Paulo. Segura, a capital chilena é um lugar para ser apreciado em seus detalhes e, de preferência, com tranqüilidade.
Parafraseando o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), o Chile é um "país delgado". Pode-se afirmar o mesmo de sua capital, plana e de proporções miúdas, o que facilita o deslocamento, inclusive a pé. Santiago tem metrô eficiente e limpo, e os táxis costumam ser mais baratos do que no Brasil, principalmente fora dos horários de pico. Independentemente do meio de transporte, mapa na mão é o mínimo que se exige do viajante para explorar o centro.
Construções dos séculos 18 e 19 convivem em harmonia com a arquitetura moderna --infelizmente, não será possível assistir à troca da guarda nem tirar uma bela foto do clássico Palácio de La Moneda, que está passando por reforma em sua fachada. Até o final deste ano, o edifício deve ganhar um lago artificial; enquanto isso, a visitação é feita pela entrada dos fundos.
Inaugurado em 1805 para funcionar como a casa da moeda do país, o palácio tornou-se sede do governo 41 anos depois. Chegou a sofrer bombardeios em 11 de setembro de 1973 --foi no La Moneda que o ex-presidente socialista Salvador Allende, eleito em 1970, se suicidou nesse mesmo dia, quando foi instaurado o regime militar comandando pelo ex-ditador chileno, o general Augusto Pinochet (1973-1990).
Comida, diversão e arte
Flanando pelas ruas de Santiago, difícil não se lembrar da bela história do garoto pobre Pedro Machuca e de seu amigo riquinho Gonzalo Infante, protagonistas do filme "Machuca", de Andrés Wood, obra de ficção crítica aos anos de repressão no Chile.
Só por sua importância histórica, o Palácio La Moneda já valeria uma tarde, mas o edifício costuma abrigar também exposições de arte. Aos fundos do palácio, sempre ocorrem mostras e exposições, como a dos carabineros --a polícia chilena.
Para dar uma relaxada e pensar na vida, caminhe pelo calçadão em direção à Plaza das Armas, onde chilenos de diferentes origens sociais e turistas perambulam. No coreto, shows de música clássica e popular ocorrem quase que diariamente. Em frente à praça, está a catedral.
Tem gente demais? A uma quadra fica o antigo e calmíssimo ex-prédio do Congresso Nacional, com seu belo jardim, uma boa pedida para renovar os ares. Seguindo cerca de seis quadras, está uma das mais impressionantes obras de paisagismo da América do Sul, o Cerro Santa Lucia, certamente a mais exuberante de Santiago.
No lugar de um morro árido, um imenso parque repleto de caminhos tortuosos, terraços e torres barrocas que remetem diretamente à obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926).
Sinal do outono, as folhas forram o chão do Parque Forestal --que se estende pela margem do rio Mapocho--, criado na virada do século 19. Quase impossível não notar a imponência do prédio do Museu Nacional de Belas Artes, inaugurado em 1910, que divide o parque.
Bonecos de cera, que representam os índios mapuches --"mapu", terra, "che", homem, em mapudungun--, ocupam o vão de entrada. Hoje, a população mapuche, que sobreviveu aos efeitos da ocupação de seu território pelos espanhóis, está separada pela fronteira entre o Chile e a Argentina.
Há quem fique mais impressionado com o teto de vidro e com a estrutura de metal belga desse prédio art noveau. A maior parte do acervo do museu é preenchida por obras do período colonial em diante, principalmente de artistas chilenos.
Bateu fome? O Mercado Central, que funciona das 6h às 16h, é o melhor lugar para apreciar as especialidades chilenas, principalmente frutos do mar. Construção de ferro pré-fabricada na Inglaterra e montada em Santiago em 1868, abriga barracas de peixe, como cação e salmão, baldes de ostras, mariscos, mexilhões, frutas e legumes. Lá, os garçons falam português.
Os frutos do mar do Pacífico são bastante diferentes dos encontrados por aqui. Puxe uma cadeira, escolha um bom vinho local e sinta-se bem longe de casa.
www.folha.uol.com.br
ALGUMAS PALAVRAS PARA NÃO SE ENRROLAR NO PORTUNHOL
Não confie no seu portunhol
Evite gafes. Aqui, ninguém leva o carro à "oficina", por exemplo. Esta palavra significa "escritório". Confira um glossário básico de termos em espanhol úteis para os viajantes:
Gasolina - bencina (no Chile) ou nafta (na Argentina)
Posto - centro de servicios
Oficina - taller (diz-se "tajér")
Escritório - oficina
Pedestre - peatón
Conversão - viraje (diz-se "virárrê)
Pedágio - peaje
Acostamento - berma
Rua - calle (diz-se "cáje")
Estrada - ruta ou carretera
Delegacia - comissaria
Devagar! - Despacio!
Carro alugado - auto alquilado
Cartão de crédito - tarjeta ("tar-rêta")
Perto - cerca
Longe - lejos (diz-se "lêrros")
Montanha - cerro
Vinícola - bodega
Restaurante - comedor
Boteco - fuente-de-agua ou boliche
Localização (endereço) - ubicación
www.proximaviagem.com.br
Valparaíso e Viña del Mar
Duas cidades chilenas incluídas no roteiro dos turistas brasileiros. Quem chega a Santiago vai a Valparaíso e Viña del Mar e descobre os encantos destes balneários que atraem inúmeros visitantes, são vizinhos e bastante diferentes. A primeira cidade é histórica e a segunda é moderna e agitada, com uma população flutuante no verão.
Apenas 120 quilômetros separam Santiago de Valparaíso e Viña del Mar, com acesso por via asfaltada e um belo panorama paisagístico, tendo como cenário a Cordilheira dos Andes. Os guias da CTS Turismo falam dos atrativos das duas cidades e citam poemas do poeta Pablo Neruda, que teve como inspiração as ladeiras e curvas de Valparaíso. Foi lá que ele viveu três grandes romances e deixou como atrativo sua casa, denominada ´Sebastiana´, bastante visitada pelos turistas. A casa, com três pavimentos, fica num ponto elevado e possibilita a visão da cidade, do mar e do porto.
Valparaíso é de 1526, declarada Patrimônio da Humanidade e sede do Congresso Nacional do Chile. Suas ruas são estreitas e cheias de ladeiras, sem a visão urbanística da bela Santiago. Um dos passeios é subir o morro de carro, ver a cidade de um mirante e descer de elevador antigo, mediante pagamento de 2.500 pesos. A descida é inclinada e rápida. No mirante, lojas e barracas expõem produtos da terra, muitos feitos com pedras preciosas.
Valparaíso tem 390 mil habitantes, é a terceira em população e de grande atuação na formação universitária, com destaque em engenharia. A cidade teve grande influência da Inglaterra e preserva até hoje o Hotel Victoria, que presta homenagem a então rainha da Inglaterra. O hotel foi instalado após rigorosa inspeção britânica. Prédios e monumentos preservam a história e dignificam a cidade. Valparaíso tem sua economia baseada na pesca, no comércio internacional e no turismo. A cidade realiza grandes eventos e faz uma bela festa de réveillon com show de fogos em toda a baia.
Viña del Mar
Viña del Mar é de 1874, separada da sua vizinha por um relógio de flores construído especialmente para dar boas-vindas à Copa do Mundo de Futebol de 1962, disputada na cidade. Com 300 mil habitantes, o balneário é conhecido como Cidade Jardim e fica localizado à beira-mar com as águas geladas do Pacífico e muitos rochedos. As praias são bastante procuradas no verão, quando chegam a receber um milhão de pessoas. Restaurantes especializados em mariscos e frutos do mar são ponto alto no roteiro gastronômico.
O cenário litorâneo gera uma paisagem ´abrasileirada´, alegre e descontraída. O povo é acolhedor e os vendedores de rua oferecem seus produtos em real. Muitos restaurantes têm a bandeira do Brasil hasteada ao lado das bandeiras do Chile e de Viña del Mar. Foi assim no restaurante Delícias do Mar, que recebeu grupo de Fortaleza com pianista tocando música brasileira, de Aquarela do Brasil a Me dá um Dinheiro aí. O restaurante está instalado de frente para o mar e tem uma decoração inspirada em piratas. No Chile, o vinho é soberano em todas as mesas, mas o suco de framboesa é delicioso.
Viña del Mar é considerada a capital turística do Chile, com o setor aquecido e gerando dividendos no setor econômico. As duas cidades contam com bons restaurantes e uma significativa rede hoteleira que se fortalece a cada ano. Um dos locais de destaque é o Casino Viña del Mar, inaugurado em 1929.
O Jardim Botânico Nacional é outro atrativo, com cerca de 3000 espécies distintas de plantas. A cidade é cortada pelo rio Margamarga e pode ser conhecida nos passeios em charretes antigas.
O Festival Internacional de Cinema de Viña del Mar é considerado um dos festivais cinematográficos mais importantes do Chile. Mas um dos mais conhecidos eventos da cidade é o Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, realizado no anfiteatro localizado na Quinta Vergara, uma das maiores áreas verdes da cidade.
A formação universitária conta com os campi centrais de três universidades privadas: Universidad Adolfo Ibáñez, Universidad de Aconcagua e Universidad del Mar. Outras são a Universidad Maritima de Chile, a Universidad de Las Américas, a Universidad Nacional Andrés Bello e a Universidad de Viña del Mar.
Matéria on line do site (Diário do Nordeste).
diariodonordeste.globo.com
PUBLICAÇÃO NO JORNAL DA CIDADE SOBRE SANTIAGO
A Encantadora Capital do Chile - Santiago
Santiago, cuja elegância, charme e natureza aos pés dos Andes, a fazem uma das mais charmosas metrópoles do Cone Sul, futurista de um lado e colonial de outro, é a capital, e o endereço de um terço da população do Chile, onde se pode encontrar exemplos das belezas naturais do país .
Santiago, que foi dos Incas e Nachupes, conquistada pelo espanhol Pedro de Valdívia, e que teve sua arquitetura muitas vezes destruída por terremotos, está a 543 acima do nível do mar, localizada em um enorme vale cercada parcialmente pela Cordilheira dos Andes, onde no inverno, com a temperatura chegando a 9 graus centígrados, suas montanhas ficam cobertas de neve, acentuando o ar europeu da cidade, cortada por largas avenidas e pelo rio Mapocho. Seus belos e bem cuidados parques, ruas arborizadas, construções coloniais (verdadeiros cartôes-postais), seu grande savoir-vivre comparável a de grandes metrópoles, a delinqüência mantida sob controle, a economia estável e o baixo nível de desemprego, fazem com que o verde e o cimento, o tradicional e o futurista convivam em perfeita harmonia, encantando os turistas.
A grande atração de Santiago é, sem dúvida, estar rodeada de lugares tão diferentes entre si. A capital do Chile possui o privilégio de estar ao mesmo tempo perto do frio e também do calor, ou seja, fica a apenas 1 hora de carro das estações de ski na Cordilheira dos Andes, e a 2 horas de balneários no Oceano Pacífico. Tão peculiar característica geográfica, a de estar localizada no país mais comprido ou mais estreito do mundo, fazem com que muitas vezes, a cidade seja vista apenas como uma espécie de ponto de partida para qualquer viagem pelo Chile, como a Patagônia, os centros de esqui, o deserto do Atacama e a ilha de Páscoa, fato que se constitui em puro engano, pois Santiago tem grande capacidade hoteleira, oferece qualidades e muitas atrações, como suas igrejas, seus monumentos coloniais, seus museus, como o de Belas Artes e o de Arte Contemporânea, o Palácio de Alhambra, a Igreja de São Francisco, o Palácio de La Moneda (sede do governo chileno), o Teatro Municipal, e seus imponentes edifícios contemporâneos, tendo como pano de fundo, a Cordilheira dos Andes..
No inverno, as montanhas do Chile se transformam nas pistas mais bonitas de esqui do mundo. Saindo de Santiago pela estrada "Camino a Farellones", chega-se a Valle Nevado, uma das mais importantes estações de esqui do Chile , que a 60km de Santiago, ocupa 9.000 hectares dos Andes, num vale dominado pela montanha El Plomo de 5.430m de altitude. A neve, que é uma das melhores e maiores atrações de Santiago, tem o auge de sua temporada entre junho a outubro, sendo que em junho, julho e agosto as condições da neve são consideradas ideais.
Mas, atenção: ao sair de Santiago, para fazer algum programa nos arredores, procure saber sobre as condições das estradas, pois a época do inverno, as nevascas podem deixá-las intransitáveis. Certa ocasião, fomos surpreendidos por uma nevasca em plena estrada, quando nos dirigíamos aos cumes dos Andes, mais precisamente a FARELLONES (povoado a 50km da capital e a 2.300m de altitude), quando foi necessário colocarmos correntes nas rodas do nosso microônibus, transformando o passeio em uma aventura e tanto, causando uma certa preocupação devido ao inusitado da situação e ao fato de não estarmos habituados a isso.
Ficha Técnica de Santiago
Idioma - é o espanhol, aliás, bem mais compreensível para nós brasileiros, do que o falado na Argentina. É só falar devagar que todos entendem, já que os chilenos são muito receptivos e de boa vontade.
Transporte - como o trânsito é caótico, usar os pés, o metrô, que é limpo, confortável e corta boa parte da cidade, os táxis, pintados de amarelo e preto, que custam bem menos que os daqui.
O que levar - no verão, roupas leves e confortáveis, e no inverno, botas bem forradas e casacos quentes são essenciais. Se for esquiar - há localidades cerca de uma hora da cidade - leve luvas e gorro.
O que trazer - vinhos chilenos, que podem ser encontrados tanto nas lojas da cidade como nos vinhedos. Os da adega da vinícola Concha Y Toro em Pirque, a 45 minutos do centro, com seus enormes tonéis de carvalho, não deve deixar de ser visitada.
Dicas da editora
Evite- dirigir no trânsito caótico de Santiago; ir ao Cerro Santa Lúcia depois do anoitecer- fica mal freqüentado; chegar antes da meia-noite na Rua Suécia, local do pubs; visitar uma vinícola sem marcar com antecedência; ligar do hotel para o Brasil - é mais barato usar cartões telefônicos, à venda nas bancas de jornais.
O que se deve fazer - comprar uma peça de lápis-lázuli nas lojinhas da Avenida Bellavista, mesmo porque só o Afeganistão além do Chile tem reservas desse minério; experimentar os frutos do mar do Pacífico, que são bem diferentes, endêmicos, isto é, só existem na costa chilena, e têm nomes curiosos como locos e picorocos e uma aparência estranha. Ir à Vina del Mar vale um pouco a pena, mas o melhor é ir para Portillo ou Farellones, charmosas estações de esqui; comprar artesanato no Cerro San Cristóbal com suas barraquinhas simpáticas, ou no Pueblo de Vitacura, no bairro do mesmo nome, com dezenas de tendas vendendo roupas típicas, jóias de lápis-lázuli, cerâmica, madeira e outros, ou ainda o pueblo Los Dominicos , mais rústico, com um portal e uma igrejinha na entrada, com ruas de terra.
Matéria publicada dia 2005-05-15
jornalcidade.uol.com.br
MESA-REDONDA DE SANTIAGO DO CHILE - REVISTA MUSEU
Esta é uma máteria para quem se interessa em Museologia, trata sobre a conferência convocada pela UNESCO para definir princípios e resoluções para os Museus da América Latina. Boa Leitura!
I. Princípios de Base do Museu Integral
Os membros da Mesa-Redonda sobre o papel dos museus na América Latina de hoje, analisando as apresentações dos animadores sobre os problemas do meio rural, do meio urbano, do desenvolvimento técnico-científico, e da educação permanente, tomaram consciência da importância desses problemas para o futuro da sociedade na América Latina.
Pareceu-lhes necessário, para a solução destes problemas, que a comunidade entenda seus aspectos técnicos, sociais, econômicos e políticos. Eles consideraram que a tomada de consciência pelos museus, da situação atual, e das diferentes soluções que se podem vislumbrar para melhorá-la, é uma condição essencial para sua integração à vida da sociedade. Desta maneira, consideraram que os museus podem e devem desempenhar um papel decisivo na educação da comunidade.
Santiago, 30 de Maio de 1972.
II. Resoluções adotadas pela Mesa-Redonda de Santiago do Chile
1. Por uma mutação do museu da América Latina,
Considerando:
Que as transformações sociais, econômicas e culturais que se produzem no mundo, e, sobretudo em um grande número de regiões em via de desenvolvimento, são um desafio para a Museologia;
Que a humanidade vive atualmente em um período de crise profunda; que a técnica permitiu à civilização material realizar gigantescos progressos que não tiveram equivalência no campo cultural; que esta situação criou um desequilíbrio entre os países que atingiram um alto nível de desenvolvimento material e aqueles que permaneceram à margem desta expansão e que foram mesmo abandonados ao longo de sua história; que os problemas da sociedade contemporânea são devidos a injustiças, e que não é possível pensar em soluções para estes problemas enquanto estas injustiças não forem corrigidas;
Que os problemas colocados pelo progresso das sociedades no mundo contemporâneo devem ser pensados globalmente e resolvidos em seus múltiplos aspectos; que eles não podem ser resolvidos por uma única ciência ou por uma única disciplina; que a escolha das melhores soluções a serem adotadas, e sua aplicação, não devem ser apanágio de um grupo social, mas exigem ampla e consciente participação e pleno engajamento de todos os setores da sociedade;
Que o museu é uma instituição a serviço da sociedade, da qual é parte integrante e que possui nele mesmo os elementos que lhe permitem participar na formação da consciência das comunidades que ele serve; que ele pode contribuir para o engajamento destas comunidades na ação, situando suas atividades em um quadro histórico que permita esclarecer os problemas atuais, isto é, ligando o passado ao presente, engajando-se nas mudanças de estrutura em curso e provocando outras mudanças no interior de suas respectivas realidades nacionais;
Que esta nova concepção não implica na supressão dos museus atuais, nem na renúncia aos museus especializados, mas que se considera que ela permitirá aos museus se desenvolverem e evoluírem da maneira mais racional e mais lógica, a fim de melhor servir à sociedade; que, em certos casos, a transformação prevista ocorrerá lenta e mesmo experimentalmente, mas que, em outros, ela poderá ser o princípio diretor essencial;
Que a transformação das atividades dos museus exige a mudança progressiva da mentalidade dos conservadores e dos responsáveis pelos museus assim como das estruturas das quais eles dependem; que, de outro lado, o museu integral necessitará, a título permanente ou provisório, da ajuda de especialistas de diferentes disciplinas e de especialistas de ciências sociais.
Que por suas características particulares, o novo tipo de museu parece ser o mais adequado para uma ação em nível regional, em pequenas localidades, ou de médio tamanho;
Que, tendo em vista as considerações expostas acima, e o fato do museu ser uma "instituição a serviço da sociedade, que adquire, comunica, e notadamente expõe, para fins de estudo, conservação, educação e cultura, os testemunhos representativos da evolução da natureza e do homem", a Mesa-Redonda sobre o papel do museu na América Latina de hoje, convocada pela UNESCO em Santiago do Chile, de 20 a 31 de maio de 1972,
Decide de uma maneira geral
1. Que é necessário abrir o museu às disciplinas que não estão incluídas no seu âmbito de competência tradicional, a fim de conscientizá-lo do desenvolvimento antropológico, sócio-econômico e tecnológico das nações da América Latina, através da participação de consultores para a orientação geral dos museus;
2. Que os museus devem intensificar seus esforços na recuperação do patrimônio cultural, para fazê-lo desempenhar um papel social e evitar que ele seja dispersado fora dos países latino-americanos;
3. Que os museus devem tornar suas coleções o mais acessível possível aos pesquisadores qualificados, e também, na medida do possível, às instituições públicas, religiosas e privadas;
4. Que as técnicas museográficas tradicionais devem ser modernizadas para estabelecer uma melhor comunicação entre o objeto e o visitante; que o museu deve conservar seu caráter de instituição permanente, sem que isto implique na utilização de técnicas e de materiais dispendiosos e complicados, que poderiam conduzir o museu a um desperdício incompatível com a situação dos países latino-americanos;
5. Que os museus devem criar sistemas de avaliação que lhes permitam determinar a eficácia de sua ação em relação à comunidade;
6. Que, levando em consideração os resultados da pesquisa sobre as necessidades atuais dos museus e sua carência de pessoal, a ser realizada sob os auspícios da UNESCO, os centros de formação de pessoal existentes na América Latina devem ser aperfeiçoados e desenvolvidos pelos próprios países; que esta rede de centros de formação deve ser completada e sua influência se fazer sentir no plano regional; que a reciclagem de pessoal atual deve ser garantida em nível nacional e regional; e que lhe seja dada a possibilidade de aperfeiçoamento no estrangeiro.
Em relação ao meio rural
Que os museus devam, acima de tudo, servir à conscientização dos problemas do meio rural, das seguintes maneiras:
a) Exposição de tecnologias aplicáveis ao aperfeiçoamento da vida da comunidade;
b) Exposições culturais propondo soluções diversas ao problema do meio social e tecnológico, a fim de proporcionar ao público uma consciência mais aguda sobre estes problemas, e reforçar as relações nacionais, a saber:
i. Exposições relacionadas com o meio rural nos museus urbanos;
ii. Exposições itinerantes;
iii. Criação de museus de sítios.
Em relação ao meio urbano
Que os museus devam servir à conscientização mais profunda dos problemas do meio urbano, das seguintes maneiras:
a) Os "museus de cidade" deverão insistir de modo particular no desenvolvimento urbano e nos problemas que ele coloca, tanto em suas exposições quanto em seus trabalhos de pesquisa;
b) Os museus deverão organizar exposições especiais ilustrando os problemas do desenvolvimento urbano contemporâneo;
c) Com a ajuda dos grandes museus, deverão ser organizadas exposições, e criados museus em bairros e nas zonas rurais, para informar os habitantes das vantagens e inconvenientes da vida nas grandes cidades;
d) Deverá ser aceita a oferta do Museu Nacional de Antropologia do México, de experimentar, através de uma exposição temporária sobre a América Latina, as técnicas museológicas do museu integral.
Em relação ao desenvolvimento científico e técnico
Que os museus devem levar à conscientização da necessidade de um maior desenvolvimento científico e técnico, das seguintes maneiras:
a) Os museus estimularão o desenvolvimento tecnológico, levando em consideração a situação atual da comunidade;
b) Na ordem do dia das reuniões dos ministros de educação e (ou) das organizações especialmente encarregadas do desenvolvimento científico e técnico, deverá ser inscrita a utilização dos museus como meio de difusão dos progressos realizados nestas áreas;
c) Os museus deverão dar enfoque à difusão dos conhecimentos cinetíficos e técnicos, por meio de exposições itinerantes que deverão contribuir para a descentralização de sua ação.
Em relação à educação permanente
Que o museu, agente incomparável da educação permanente da comunidade, deverá acima de tudo desempenhar o papel que lhe cabe, das seguintes maneiras:
a) Um serviço educativo deverá ser organizado nos museus que ainda não o possuem, a fim de que eles possam cumprir sua função de ensino; cada um desses serviços será dotado de instalações adequadas e de meios que lhe permitam agir dentro e fora do museu;
b) Deverão ser integrados à política nacional de ensino, os serviços que os museus deverão garantir regularmente;
c) Deverão ser difundidos nas escolas e no meio rural, através dos meios audiovisuais, os conhecimentos mais importantes;
d) Deverá ser utilizado na educação, graças a um sistema de descentralização, o material que o museu possuir em muitos exemplares;
e) As escolas serão incentivadas a formar coleções e a montar exposições com objetos do patrimônio cultural local;
f) Deverão ser estabelecidos programas de formação para professores dos diferentes níveis de ensino (primário, secundário, técnico e universitário).
As presentes recomendações confirmam aquelas que puderam ser formuladas ao longo dos diferentes seminários e mesas-redondas sobre museus, organizadas pela UNESCO.
Pela criação de uma Associação Latino Americana de Museologia
Considerando
Que os museus são instituições a serviço da sociedade, que adquire, comunica e, notadamente, expõe, para fins de estudo, educação e cultura, os testemunhos representativos da evolução da natureza e do homem;
Que, especialmente nos países latino-americanos, eles devem responder às necessidades das grandes massas populares, ansiosas por atingir uma vida mais próspera e mais feliz, através do conhecimento de seu patrimônio natural e cultural, o que obriga frequentemente os museus a assumir funções que, em países mais desenvolvidos, cabem a outros organismos;
Que os museus e os museólogos latino-americanos, com raras exceções, sofrem dificuldades de comunicação em razão das grandes distâncias que os separam um do outro, e do resto do mundo;
Que a importância dos museus e as possibilidades que eles oferecem à comunidade ainda não são plenamente reconhecidas por todas as autoridades, nem por todos os setores do público;
Que durante a oitava e a nona conferência geral do ICOM, que ocorreram, respectivamente, em Munique em 1968, e em Grenoble em 1971, os museólogos latino americanos que estiveram presentes indicaram a necessidade de criação de um organismo regional;
A Mesa-Redonda sobre o papel dos museus da América Latina de hoje, convocada pela UNESCO em Santiago do Chile, de 20 a 31 de maio de 1972,
Decide:
1. Criar a Associação Latino Americana de Museologia (ALAM), aberta a todos os museus, museólogos, museógrafos, pesquisadores e educadores empregados pelos museus com os objetivos e através das seguintes maneiras:
Dotar a comunidade regional de melhores museus, concebidos à luz da experiência adquirida nos países latino americanos;
Constituir um instrumento de comunicação entre os museus e os museólogos latino americanos;
Desenvolver a cooperação entre os museus da região graças ao intercâmbio e empréstimo de coleções e ao intercâmbio de informações e de pessoal especializado;
Criar um organismo oficial que faça conhecer os desejos e a experiência dos museus e de seu pessoal aos membros da profissão, à comunidade a qual eles pertencem, às autoridades e a outras instituições congêneres;
Afiliar a Associação Latino Americana de Museologia ao Conselho Internacional de Museus, adotando uma estrutura na qual seus membros sejam ao mesmo tempo membros do ICOM;
Dividir, para fins operacionais, a Associação Latino Americana de Museologia em quatro seções correspondentes provisoriamente às regiões e países seguintes:
- América Central, Panamá, México, Cuba, São Domingos, Porto Rico, Haiti e Antilhas Francesas.
- Colômbia, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia.
- Brasil.
- Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
2. Que os abaixo-assinados, participantes da Mesa-Redonda de Santiago do Chile, se constituem em Comitê de Organização da Associação Latino Americana de Museologia, e notadamente em um Grupo de Trabalho composto de cinco pessoas, quatro dentre elas representando cada uma das zonas acima enumeradas, e a quinta desempenhando o papel de coordenador geral; que este Grupo de Trabalho terá como objetivo, no prazo máximo de seis meses, elaborar o Estatuto e os regulamentos da associação; definir com o ICOM as formas de ação conjunta; organizar eleições para a constituição dos diversos órgãos da ALAM; estabelecer a sede desta associação, provisoriamente, no Museu Nacional de Antropologia do México; compor este grupo de trabalho com as seguintes pessoas, representando suas zonas respectivas:
- Zona 1: Luis Diego Pígnataro (Costa Rica),
- Zona 2: Alicia Durand de Reichel (Colômbia),
- Zona 3: Lygia Martins Costa (Brasil), e
- Zona 4: Grete Mostny Glaser (Chile); coordenador: Mario Vasquez (México).
Santiago, 31 de Maio de 1972.
III. Recomendações apresentadas à UNESCO pela Mesa-Redonda de Santiago do Chile
À Mesa-Redonda sobre o papel do museu na América Latina de hoje, convocada pela UNESCO em Santiago do Chile, de 20 e 21 de maio de 1972, apresenta à UNESCO as seguintes recomendações:
1. Um dos resultados mais importantes a que chegou a mesa-redonda foi a definição e a proposição de um novo conceito de ação dos museus: o museu integral, destinado a proporcionar à comunidade uma visão de conjunto de seu meio material e cultural. Ela sugere que a UNESCO utilize os meios de difusão que se encontram à sua disposição para incentivar esta nova tendência.
2. A UNESCO prosseguiria e intensificaria seus esforços para contribuir com formação de técnicos de museus - tanto no nível de ensino secundário quanto ao do universitário, como ela tem feito, até agora, no Centro Regional "Paul Coreanas".
3. A UNESCO incentivará a criação de um Centro Regional para a preparação e a conservação de espécimes naturais, do qual o atual Centro Nacional de Museologia de Santiago poderá se constituir em núcleo original. Além de sua função de ensino (formação técnica) e de sua função profissional no campo da museologia (preparação de conservação de espécimes naturais), e de produção de material de ensino, este Centro Regional poderá desempenhar um papel importante na proteção das riquezas naturais.
4. A UNESCO deverá conceder bolsas de estudo e de aperfeiçoamento para técnicos de museus com instrução de nível secundário.
5. A UNESCO deverá recomendar aos ministérios de Educação e de Cultura e (ou) aos organismos encarregados de desenvolvimento científico, técnico e cultural, que considerem os museus como um meio de difusão dos progressos realizados naquelas áreas.
6. Em razão da importância do problema da urbanização na América Latina e da necessidade de esclarecer a sociedade a este respeito, em diferentes níveis, a UNESCO deverá encorajar a redação de um livro sobre a história, o desenvolvimento e os problemas das cidades na América Latina, o qual seria publicado sob forma de obra científica e sob forma de obra de divulgação. Para atingir um público mais vasto, a UNESCO deverá produzir um filme sobre esta questão, adequado a todos os tipos de público.
Fonte: PRIMO, Judite. Museologia e Patrimônio: Documentos Fundamentais – Organização e Apresentação. Cadernos de Sociomuseologia/ nº 15, Págs.95-104; ULHT, 1999; Lisboa, Portugal. Tradução: Marcelo M. Araújo e Maria Cristina Bruno.
www.revistamuseu.com.br
PABLO NERUDA
Neftalí Ricardo Reyes, poeta chileno. Autor de obra marcada pela emotividade e as preocupações sociais. Prêmio Nobel de 1971.
Poeta muito marcado pela emotividade, o chileno Pablo Neruda realizou uma obra de crescente pendor humanitário e, em suas últimas fases, pôs o talento a serviço da justiça social. Em 1971 recebeu o Prêmio Nobel de literatura. Neftalí Ricardo Reyes, que adotou o pseudônimo Pablo Neruda, em homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda, nasceu em Parral em 12 de julho de 1904. Passou a infância em Temuco, no sul do país, onde aprendeu a amar a natureza. Em 1921 mudou-se para Santiago, começou a estudar francês no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile e escreveu os primeiros poemas, reunidos em Crepusculario (1923), em que já assinou o nome Pablo Neruda, adotado legalmente em 1946.
O livro seguinte, Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), de lirismo arrebatado, fez de Neruda, com apenas vinte anos, um dos mais famosos poetas chilenos. Tentativa del hombre infinito (1925), em que transparece uma intensa atmosfera de angústia, constituiu progresso decisivo na criação de uma linguagem poética pessoal. Nomeado em 1927 cônsul-geral do Chile em Rangum (hoje Yangon), na Birmânia (atual Myanmar), durante os cinco anos seguintes Neruda representou seu país em diversos pontos do Sudeste Asiático.
Nesse período casou-se com Maria Haagenar e escreveu uma de suas obras principais, Residencia en la tierra (1933), em que emprega imagens e recursos próprios do surrealismo dentro de uma perspectiva original. O tom do livro é de profundo pessimismo em torno dos temas do tempo, da ruína, da desintegração e da morte, e exprime a visão de um mundo caótico.
Depois de breve estada em Buenos Aires, Neruda serviu como cônsul na Espanha, primeiro em Barcelona, depois em Madri, e tornou-se figura indispensável nos meios intelectuais. Uniu-se então, em seu segundo casamento, a Delia del Carril. A guerra civil espanhola, que lhe inspirou a obra España en el corazón (1937), determinou uma mudança profunda na atitude do poeta, que aderiu ao marxismo e decidiu consagrar sua obra e sua vida à defesa dos ideais políticos e sociais inspirados pelo comunismo.
Em 1938 regressou ao Chile e, após novo período no México como embaixador, em 1945 foi eleito senador pelo Partido Comunista. Três anos depois, porém, o governo pôs o partido na ilegalidade. Com o mandato cassado, o poeta abandonou o país e visitou vários países da Europa, inclusive a União Soviética, que em 1953 lhe concedeu o Prêmio Lenin da paz. Neruda terminou nesses anos de exílio outra de suas obras maiores, Canto general (1950), exaltação épica da América Latina.
Quando, em 1952, o governo chileno restabeleceu as liberdades políticas, Neruda regressou ao país com sua terceira mulher, Matilde Urrutia, e fixou residência em Isla Negra, no Pacífico. Fez numerosas viagens. Sua poesia adquiriu uma grande diversidade e, se nas Odas elementales (1954) cantava a vida cotidiana, em Cien sonetos de amor (1959) e em Memorial de Isla Negra (1964) evocava o amor e a nostalgia do passado em imagens expressivas, enquanto em La espada encendida (1970; A espada incendiada) o autor reafirmava seu compromisso com a ideologia político-social.
Em 1971 Neruda foi novamente nomeado embaixador do Chile em Paris. Passados 12 dias do golpe de estado que sepultou o governo popular de Salvador Allende e deu início a um negro período na história chilena, Pablo Neruda morreu em Santiago, em 23 de setembro de 1973. Sua autobiografia, Confieso que he vivido, publicada postumamente em 1974, é extraordinário testemunho sobre o poeta e seu tempo.
OUTRA BIOGRAFIA DE PABLO NERUDA
Pablo Neruda(1904-1973) é o pseudônimo usado por Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, poeta chileno, considerado um dos mais importantes do século XX. Filho de um ferroviário, e órfão de mãe quando havía vivido apenas um mês, escrevia poesia desde muito jovem (Com 16 anos começou a usar o pseudônimo).
Estudou para converter-se em professor de francês, sem chegar a lograr êxito. Seu primeiro livro, foi Crepusculario (1923). No ano seguinte, seu Veinte poemas de amor y una canción desesperada se converteu em um êxito de vendas (superou 1 milhão de exemplares), e o colocou como um dos poetas mais destacados da América Latina.
Entre as numerosas obras que seguiram destacam-se Residencia en la tierra (1933), que contém poemas impregnados de trágico desespero ante a visão da existência do homem em um mundo que se destrói, e Canto general (1950), um poema épico-social no qual retrata a América Latina desde suas origens precolombinas.
A obra foi ilustrada pelos famosos pintores mexicanos Diego Rivera y David Alfaro Siqueiros. Como obra póstuma publicaram, no mesmo ano de seu falecimento, suas memórias, com o nome Confieso que he vivido. Poeta enormemente imaginativo, Neruda foi simbolista no início, para unir-se posteriormente ao surrealismo e derivar, finalmente, até o realismo, substituindo a estrutura tradicional da poesia por uma forma expressiva mais acessível.
Sua influência sobre os poetas de idioma hispânico foi incalculável e sua reputação internacional superou os limites da língua.
Em reconhecimento ao seu valor literário, Neruda foi incorporado ao corpo consular chileno e, entre 1927 e 1944, representou seu país em cidades da Ásia, América Latina e Espanha. De idéias políticas esquerdistas, foi membro do Partido Comunista chileno e senador entre 1945 e 1948.
Em 1970 foi designado candidato à presidência do Chile por seu partido e, entre 1970 e 1972, foi embaixador na França. Em 1971 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Lenin da Paz. Antes havia conquistado o Prêmio Nacional de Literatura (1945).
MORTE
Pablo Neruda estava gravemente doente de um câncer de próstata, mas estável dentro de sua enfermidade.
11 de setembro: Golpe de Estado. O poeta sofre um agravamento inesperado na evolução de sua doença, atribuído à ansiedade dos acontecimentos políticos. Começa com febre alta. Seu médico lhe aconselha umas injeções e que não tome conhecimento das notícias.
14 de setembro: Neruda parece restabelecido, chama sua mulher e lhe dita o último capítulo de suas memórias. Nesse momento chegam caminhões militares para vistoriar a casa. Matilde esconde os papéis, que conseguem ser salvos da inspeção.
18 de setembro: Neruda volta a ter febre. Seu médico é localizado em Santiago e se encarrega de mandar uma ambulância para seu traslado a uma clínica.
19 de setembro: ingressa na Clínica Santa María. O embaixador do México vem lhe oferecer exílio, deixando um avião a sua disposição. O poeta se nega a sair de seu país.
20 de setembro: Matilde vai a Isla Negra buscar uns livros que lhe havia pedido Neruda. Quando ali estava, é avisada de uma piora de seu marido.
22 de setembro: Neruda toma conhecimento dos horrores da repressão política e entra em um estado febril ao saber sobre todos os seus amigos que haviam morrido. Nessa mesma noite a enfermeira lhe dá um calmante e Neruda passa a noite toda dormindo placidamente.
23 de setembro: Pela manhã continua dormindo, sua mulher se alarma quando transcorre toda a manhã e Neruda não desperta. Às 22:30 exala o último suspiro.
Parece que suas últimas palavras, ditas em um sussurro, foram: "Los fusilan! Los fusilan a todos! Los están fusilando!" (fato não comprovado). Morre de um infarto do coração.
Informação tirada das memórias de Matilde Urrutia ("Mi vida junto a Pablo Neruda")
Fonte: br.geocities.com
www.colegiosaofrancisco.com.br
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