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Patagônia Argentina - Dicas

Abaixo as dicas de quem já foi e tem muito a ensinar:


PATAGÔNIA ARGENTINA


A Patagônia Argentina é um vasto território cheio de mistério, que tem um forte magnetismo, e um incrível poder de sedução, capaz de apaixonar todo aquele que se aproximar destas terras deixando-se abraçar pela imensidão de seus horizontes, até se entregar rendido frente a tão contundente demonstração da insignificância do ser humano diante da sublime grandeza da natureza.

Enigmática como poucas regiões no mundo, a Patagônia propõe seu primeiro desafio ao tentar decifrar a origem de seu nome. Sobre ele, existem diferentes versões que indicam a Fernão de Magalhães como autor.


Uma delas associa o nome à observação, por parte do navegante, de grandes pegadas realizadas pelos Tehuelches, um povo nativo da região, que se caracterizavam por serem altos e terem uma forte contextura. Outra, diz que Magalhães utilizou o termo “Patagón”, fazendo alusão a um monstro literário, personagem de uma famosa novela medieval.

Informações Gerais
Fotos da Patagônia Argentina
Pacotes para Patagônia Argentina
Hotéis na Patagônia Argentina
Dicas da Patagônia Argentina
Links da Patagônia Argentina

Formada pelas províncias de La Pampa, Neuquén, Río Negro, Chubut, Santa Cruz e Tierra del Fuego, com uma superfície de 930.731 Km² e uma população total de 2.037.545 habitantes, cada lugar da Patagônia Argentina oferece variadas opções de descanso, lazer e aventura, em um contexto onde a exuberante natureza é a grande protagonista.


La Pampa, com a plenitude de seu campo e as longas cavalgadas até o entardecer são um sinal inequívoco da infinita planície pampeana povoada de tradicionais fazendas, permitindo desfrutar das tradicionais churrascadas argentinas, atividades de campo e a típica música do lugar. Neuquén, berço dos dinossauros, combina o que há de mais agreste no estepe patagônico com o brilho de seus lagos e vales repletos de vegetação. Río Negro, com seu mar de água morna e transparente, onde vales, eventos esportivos, e estepe, convivem com paisagens místicas, pinturas rupestres e a diversificada fauna autóctone da região. Chubut, é um lugar onde o oceano expõe todo o seu esplendor, e onde baleias e golfinhos fazem um espetáculo comovedor junto a pingüins e lobos-marinhos. Santa Cruz, tem uma variedade de ambientes naturais virgens e magnânimos, custodiados por centenas de glaciares que surgem na imensidão da paisagem. Tierra del Fuego, o extremo mais austral da América, é uma terra de sonho e magia, onde é possível desfrutar no inverno as noites mais longas e viver no verão os dias mais luminosos e compridos.


Toda a Patagônia Argentina, sua gente, suas paisagens e sua forte cultura ancestral, são um convite para descobrir a magia do sul do mundo.


Fonte: Patagônia Turística



PARAÍSO GELADO E SILENCIOSO


Confira reportagem que saiu na página do Bom Dia Brasil no site da Globo.com sobre El Calafate:


19.02.2008


Paraíso gelado e silencioso


Em uma reportagem especial, conheça um paraíso isolado que atrai cada vez mais brasileiros. São as belezas geladas de El Calafate, a porta de entrada da Patagônia argentina.


Uma cidade onde não há desemprego, cujo cenário é de tirar o fôlego, e no verão ninguém reclama do calor. Esse lugar não fica no Brasil, mas tem sido cada vez mais procurado pelos brasileiros.


É a região de El Calafate, porta de entrada da Patagônia argentina, lá no sul do continente. Em mais uma série especial de reportagens, os repórteres Alan Severiano e Rogério Rocha mostram as belezas e os desafios desse destino disputado por turistas do mundo inteiro.


Se chamassem essa parte do mundo de “Terra dos pés grandes”, o charme talvez não fosse o mesmo. Mas é esse o significado da palavra “Patagônia”. Os índios tehuelches que habitavam a região no século 16 foram confundidos com gigantes.


O tamanho dos nativos é uma lenda. Indiscutível é a grandiosidade da paisagem. Aos pés da cordilheira, no sul do continente, está o lago batizado de “Argentino”. É um orgulho que se confunde com a bandeira nacional.


O lago só foi descoberto no fim do século 19 e é o maior do país. O espelho d’água tem o tamanho da cidade de São Paulo. E a cor, bem característica, é resultado do atrito das geleiras com o leito rochoso. Trata-se de um movimento que se repete há séculos é responsável por alguns dos mais belos cenários da América do Sul. A massa branca que despenca das montanhas se transforma em tons de azul.


O Parque Nacional dos Glaciares, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, fica no campo de gelo patagônico, a terceira maior extensão de gelo do mundo depois da Antártida e da Groenlândia. São 365 geleiras. Na passarela, a sensação é de estar debruçado sobre um freezer gigante.


“É muito impressionante, na verdade é enorme”, comentou uma turista espanhola.


A estrutura do parque impressiona. Cada turista leva seu lixo para casa, mas um guarda se mostra preocupado.


“Somos apenas onze guardas. O parque não está preparado para suportar todos os turistas que estão entrando. A demanda é cada vez maior”, diz o guarda.


É na cidade mais próxima, El Calafate, que os turistas se hospedam. Incrustada na estepe, tem algo de europeu na arquitetura, nas ruas, nas calçadas e nas lojas. Estaríamos no Primeiro Mundo não fossem os carros, em péssimo estado de conservação.


El Calafate surgiu há menos de 80 anos e virou uma das principais portas de entrada da Patagônia. O novo aeroporto, inaugurado há apenas seis anos, já ficou pequeno. De 2000 para cá, o número de visitantes pulou de 50 mil para 200 mil.


É esse interesse que movimenta a economia. Lá, não há desemprego. Pelo contrário: falta mão-de-obra. Como Mariela, a maioria dos trabalhadores não é de Calafate. Ela nasceu em uma província do norte da Argentina e se muda para lá na alta temporada.


O outro lado da explosão do turismo é o impacto que isso provoca na paisagem da cidade. Nos últimos cinco anos, a população passou de 7 mil para 20 mil habitantes. A cidade cresce quase sem controle.


Fora do centro arborizado, muitas ruas são de terra. O lixo, carregado pelo vento, se acumula nas margens da Lagoa Nimes, uma reserva ecológica. O secretário de Turismo reconhece que é preciso buscar o equilíbrio entre o meio-ambiente e a exploração turística para crescer de forma sustentada.


Junko, que veio do Japão, torce para que as paisagens que registrou se mantenham intactas. Foram mil fotos, ela conta, em apenas quatro dias. Nem dá para botar a culpa na mania dos japoneses. Afinal, com um cenário desses, quem resistiria?


Na segunda reportagem, que vai ao ar amanhã, veja o que se faz de manhã e à noite em um dos lugares mais lindos do mundo.


Fonte: bomdiabrasil.globo.com




FRONTEIRA GELADA


Confira a segunda reportagem do Bom Dia Brasil no site da Globo.com sobre a Patagônia:


20.02.2008


Fronteira gelada


Na segunda reportagem especial sobre a fronteira gelada da Argentina, descubra como se formam as geleiras azuis de Perito Moreno, na Patagônia.


Reportagem: Alan Severiano e Rogério Rocha (Parque Nacional dos Glaciares, Argentina)


O sul da Argentina é um celeiro de paisagens deslumbrantes: a neve muito branca, ofuscante, e o azul do céu, da água e das gigantescas geleiras. É um convite para a reflexão. Mas tem aventura e agitação também.


Não há solidão nessa porção do deserto. Pela estrada longa e estreita, sempre se encontram turistas. Na Patagônia, o sono marca o início dos passeios. É preciso acordar cedo. O deslocamento até uma geleira pode levar três horas.


“Para ver algo assim vale a pena. Se fosse para trabalhar, não", diz o arquiteto espanhol.


No verão, são mais de 16 horas de sol por dia. Não de calor. Entre icebergs, o vento frio testa o equilíbrio. Do barco, a massa gelada se agiganta. As formas lembram uma imensa catedral gótica. As cores revelam a idade.


“O branco da geleira é neve, que por sua vez tem muito ar. Conforme vai envelhecendo, esse ar vai sendo expulso da neve e vira gelo. Quanto mais puro esse gelo, mais azul vai ficar”, explica o glaciólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões.


Com cinco quilômetros de largura por 60 metros de altura, a geleira Perito Moreno é a mais imponente e uma das mais acessíveis do mundo. Trata-se de uma aula prática de glaciologia.


As geleiras são como rios: estão em constante movimento. O Perito Moreno se desloca a uma velocidade de dois metros por dia. A parede de gelo se formou há mais de 500 anos, no topo das montanhas.


O contato mais próximo com a natureza é a caminhada no topo do glaciar. Antes, é preciso calçar grampos especiais e ouvir dicas para não escorregar. Por dia, 300 pessoas testemunham o colorido das fendas e o derretimento das placas de gelo. A água desfila seus sons.


“A paisagem toda, a geleira, o lago, tudo é muito bonito. É uma paisagem que a gente não conhece”, comenta um turista.


Bem antes da invasão de turistas, a Patagônia argentina foi povoada pelos britânicos, que deixaram como marca a criação de ovinos. Hoje, as fazendas, chamadas de estâncias, funcionam como hospedarias.


Uma delas também é uma reserva ecológica. Lebres, raposas e dezenas de espécies de aves atraem observadores estrangeiros. O condor dos Andes, segunda maior ave voadora do mundo, se destaca na paisagem.


O gerente diz que a vocação das fazendas é o turismo. “Estamos contentes. Temos uma temporada que vai de setembro a maio e recebemos de 70 a 140 pessoas por dia”, calcula.


Dia nessa região do planeta é algo relativo. São quase nove da noite, e o sol ainda está longe de se pôr. A essa hora, o interesse na cidade que abriga os turistas é um só: “Vamos comer”, comenta um senhor.


Os restaurantes sofisticados se multiplicam na avenida principal. Em cada mesa, está o prestigiado vinho nacional. “O preço é fantástico e beber no país de origem é melhor ainda”, elogia Francesca.


Mas o vinho não é soberano. Na terra com forte influência britânica, não poderiam faltar os pubs. Um clima londrino, não fosse a reverência quase obrigatória a Diego Maradona.


Se a viagem chega ao fim, a melodia local se encarrega do clima de nostalgia. A música patagônica fala das montanhas, das árvores, da natureza. Uma dose de melancolia que combina com quem deixa saudades.


Fonte: bomdiabrasil.globo.com




MERGULHANDO NA PATAGÔNIA


Confira esta reportagem de Joana Santana para o site Grupo Viagem, onde fala sobre uma surpreendente forma de conhecer a Patagônia, mergulhando!


Surpreendente: Patagônia debaixo d'água!
Lar de lobos-marinhos e pingüins, Puerto Madryn é a capital argentina do mergulho


Por: Joana Santana


Quem olha a paisagem branca de neve da região mais ao sul da América do Sul nem imagina que é possível entrar naquela água. Ledo engano. Pois é justamente na Patagônia que fica Puerto Madryn, a capital argentina do mergulho.


A cidade localizada na província de Chubut é um dos destinos procurados por mergulhadores do mundo todo. Principalmente pelos interessados em interagir com lobos-marinhos. A procura por estrangeiros é tanta que algumas operadoras contam com guias fluentes em inglês, francês, português e alemão.


São 30 quilômetros de praias de águas calmas e transparentes, com uma rica fauna oceânica que inclui baleias, diversos tipos de peixe e caranguejos. Além de naufrágios e parques submarinos artificiais, há inúmeras outras opções. Uma das mais interessantes é o mergulho com lobos-marinhos. Essa oportunidade de interagir com os mamíferos em seu próprio habitat é exclusiva aos mergulhadores credenciados (que utilizam equipamento de respiração artificial).


Mas também há alternativas para quem não tem o certificado de mergulho. Em Puerto Madryn, várias agências de mergulho dão todo o suporte ao turista. Elas oferecem inclusive o batismo submarino, em que você recebe instruções básicas de um profissional capacitado e se aventura acompanhado dele.


A apenas 200 metros da costa está Punta Cuevas, lugar ideal para a prática de snorkelling. Como o próprio nome indica, a região de solo rochoso está cheia de pequenas cavernas, moradia de salmões e anêmonas.


Ônibus e navio debaixo d'água


Já para os mergulhadores credenciados, vale a pena conhecer o inusitado Parque Artificial Submarino, criado em 1963. Na ocasião, seis antigos ônibus urbanos de Buenos Aires foram afundados a 30 metros de profundidade, e hoje a fauna local faz das carcaças o seu habitat.


Existem ainda naufrágios naturais como o Río de Oro, um navio de 30 metros de comprimento que repousa a 15 metros de profundidade, há aproximadamente 60 anos. Como a embarcação está em fundo arenoso, é preciso ter cuidado durante a natação para não prejudicar a visibilidade.


Outra opção simpática é conhecer a Arca de Madryn. Afundada em dezembro de 1999, ela contém mensagens da população local para a geração de 2100. Ali começou uma tradição informal: o mergulhador deixa um objeto qualquer ao lado da urna e pode levar um outro como souvenir. Quem descer os 30 metros necessários ainda pode assinar em um livro de visitas de plástico.


Fonte: Grupo Viagem



BLOG DE VIAGEM SOBRE A PATAGÔNIA


Sexta-feira, 30 de Março de 2007


Impressões da Patagonia


Bom, decidi escrever um pouquinho e postar algumas imagens de nossa expedição à Patagonia Argentina realizada em fevereiro/2007 junto com o Projeto Contato www.projetocontato.com. Esta experiência está servindo de teste para uma futura utilização em muitas viagens que ainda virão. Algumas de nossas fotos estão publicadas no site acima e muitas outras no blog do Projeto Contato na patagonia www.projetocontato.blogspot.com.


Vamos parar de lero-lero e começar a escrever um pouquinho... A experiência foi INCRÍVEL, paisagens de tirar o fôlego, lugares onde é difícil o acesso do grande público. Um tipo de turismo que o brasileiro ainda não está acostumado. Podemos encontrar muitos europeus, alguns poucos americanos e canadenses. Pessoal já de meia idade para frente que talvez já tenham conhecido o mundo inteiro e já estão entediados de ver Estátuas da Liberdade e Torres Eiffel. Querem aventura, ar fresco, experiências incomuns... aliás, quem não quer? Experimentar sorvete de Calafate, tomar água da geleira (MUITO pura e gelada, dá até para dizer que é gostosa!?), provar o famoso Cordeiro Patagônico, tomar vinhos da Patagônia... Aliás, tudo lá é Patagônico.


Os argentinos estão sabendo explorar o potencial turístico daquele lugar, tem um aeroporto bem novinho em El Calafate, porta de entrada para a Patagônia e seus Glaciares. Aliás, a cidadezinha tem uns 10-15 mil habitantes e é cheia de hotéis e pousadinhas, as ruas da periferia ainda são de chão batido, um estilo de Gramado dos tempos mais antigos. (Parêntese - Êta paísinho bunda este nosso, dava pra fazer um Aeroporto bem legal em Gramado-Canela pra explorar o nosso turismo).


Voltando, paisagens estonteantes, lagos com água verde esmeralda, pôr-do-sol dos mais-mais, espetáculos da Natureza em seu maior esplendor, nuvens lenticulares, Glaciares em movimento, Flamingos voando dentro da cidade, quer mais? Melhor de tudo, não ter que se preocupar se o celular vai tocar ou não...A que ponto nós chegamos... e que ainda vamos chegar. Me senti voltando no tempo, na Não-Me-Toque dos anos 80 em que saía de casa para brincar e só voltava de noite, onde ninguém sabia onde eu estava, só eu mesmo! O grupo de companheiros foi o ponto alto da viagem, pessoas diferentes, divertidas, de todas as idades e profissões, mas com um mesmo interesse em comum - FOTOGRAFIA.


Em seguida vou postar umas imagens de El Calafate e região, onde foi o início da nossa viagem. Com o passar dos dias e dependendo da inspiração, vou acrescentando e corrigindo o blog. Abraços. Fábio


Postado por Fabio às 16:01


Fonte: fabiofotoblog.blogspot.com




REPORTAGEM SOBRE A PATAGÔNIA


21.02.2008


As delícias da Patagônia


Na última reportagem sobre a Patagônia, os repórteres Alan Severiano e Rogério Rocha revelam as receitas centenárias que traduzem a natureza da região.


Quais são os traços da Argentina vistos pelo mundo como marcas nacionais? O tango, o churrasco e as extensões verdes para o melhor gado de corte. Mas o país é enorme, comprido, acaba lá perto do Pólo Sul, no gelo. E lá, a cultura, a comida e os aromas são diferentes.


Na última reportagem sobre a Patagônia, os repórteres Alan Severiano e Rogério Rocha revelam as receitas centenárias que traduzem a natureza da região.


É o vento a 160 quilômetros por hora que mantém seca a vegetação no extremo-sul das Américas. Faz subir a poeira no deserto e espalha os aromas da cidadezinha de El Calafate, espremida entre o lago argentino e a montanha.


Um dos cheiros predominantes vem de uma vitrine. Sobre a fogueira, prepara-se o prato mais típico da região: o cordeiro patagônico, capaz de hipnotizar turistas que fazem fila na porta do restaurante e não poupam elogios depois de saborear o prato.


“É excelente, não tem gordura, delicioso”, comenta uma turista inglesa.


A receita vem do fim do século 18, depois que britânicos introduziram a cultura de ovinos na região. O churrasqueiro Victor aprendeu a preparar o prato com o tataravô.


“É uma tradição que não vai morrer”, diz ele.


A cidade deve o nome a uma planta – um arbusto cheio de espinhos – que dá um pequeno fruto, chamado calafate. É a base de algumas das principais iguarias da culinária regional.


Diz a lenda que quem come o calafate volta à Patagônia. Lá, o fruto roxo vira recheio de chocolate artesanal, licor, doce e o sorvete campeão de vendas.


“O sabor é ótimo. Parece framboesa”, se derrete uma turista alemã.


Perto dali, a paisagem inspira outra sobremesa com sabor regional. A centenária estância Cristina é a paragem no caminho do vale rochoso. Sua formação lembra a superfície da Lua e leva ao Mirante de Upsala, a maior geleira da região.


Quem volta da longa caminhada é recompensado com uma mousse de doce de leite, preparada pelo chef Joaquim. Ele bate quatro gemas, junta 750 gramas de doce de leite, meio litro de creme de leite fresco e quatro claras em ponto de neve.


Depois de duas horas na geladeira, e do toque final, está pronto para servir. “Dá prazer, reconforta, dá energia”, resume uma turista espanhola.


Na Patagônia, o fim de uma refeição coincide sempre com o início de um passeio. Aos pés da cordilheira, o cenário reforça o sabor.


Fonte: Globo.com



PONTOS TURÍSTICOS DA PATAGÔNIA


Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008


Pontos Turísticos da Patagônia


El Calafate - É uma cidade pitoresca localizada aos pés da montanha de mesmo nome, às margens do Lago Argentino. É a porta de entrada para o majestoso mundo das geleiras, a cabeceira urbana do Parque Nacional Los Glaciares.


Parque Nacional de Los Glaciares - Quase metade de seu território é coberto pelo conjunto conhecido como Campo de Geloda Patagônia. O parque abriga diversos glaciares, 14 sítios arqueológicos, florestas pouco densas, campos de estepes e espécies animais características da região.


Glacial Perito Moreno - o maior dos glaciais da Patagônia, é conhecido com o "Rei dos Glaciares".


Parque Nacional de Torres del Paine - Um dos principais Parques da Patagônia, impressiona pela imponência de suas montanhas e a abundância de natureza e de paisagens belíssimas. No parque existem diversas opções de passeios ecológicos, com trilhas, passeios de cavalo e bicicleta.


Parque Nacional de Queulat - a principal atração do parque é o Ventisquero Colgante, uma geleira que fica entre duas montanhas, cujo desgelo forma uma das maiores cachoeiras da Patagônia.


Parque Nacional Laguna de San Rafael - visita ao parque onde podem ser vistos icebergs de diversas formas e cores. No local existem blocos de gelos de mais de 30 mil anos.


Termas de Puyuhuapi - Localizada na charmosa Baía Dorita, no Seno Ventisquero, e rodeada por uma natureza em seu estado original, a região abriga as florestas frias e águas termais.


Postado por Pedro Roberto Gitirana de Araujo Guerra às 01:15


Marcadores: argentina, chile, exterior, informação, viagem


Fonte: www.turismoevariedades.blogspot.com




BLOG SOBRE VIAGEM A PATAGÔNIA


Quinta-feira, Maio 25, 2006


PATAGÓNIA 24 de Março 2006 - Ushuaia (PINGUINS)


A paisagem era tão ou tão pouco encantadora que o Fredim decidiu ficar do lado de dentro, por detrás do vidro da janela, abrigado do vento e do frio de já 2 metros por essa altura… Ele e o computador, claro, para escrever e eventualmente dar uma espreitadela nos sites A Bola e O Jogo, sempre abertos.
Entretanto um americano chamado Dan ganhara o dia com a boleia que lhe ofereci. Saímos do hostal sem grandes planos, e embora tivéssemos ambos uma enorme vontade de ir em algum dos muitos passeios turísticos pelo canal Beagle – especificamente os que incluem a Isla Pinguinera – estávamos reticentes aos preços. Decidimos ir de kombi, conhecer os arredores. Fizemos 90km quase sempre acompanhando costa, seduzidos pelas cores que parecem avivar-se quando o ar é frio num dia de sol.


Chegámos a uma propriedade privada chamada Estancia Harberton, muito conhecida por se situar justamente em frente à ilha dos pinguins. (Meus amigos, coloquem-se numa posição cómoda e preparam-se para um verdadeiro tratado sobre pinguins, as suas qualidades e defeitos em oito volumes!) Questionávamos se poderíamos ver pinguins no continente, mas rapidamente nos roubaram a esperança. A “pinguinera”, como lhe chamam os locais, fica a 20 minutos da estância. Os barcos que saem de Ushuaia demoram uma hora e cobram cerca de 200 pesos para passar ao lado da ilha. São grandes, confortáveis e levam uma centena de turistas. O bote que parte da estância leva 12 pessoas incluindo o piloto e o guia, é um barco semi-rígido, entrada livre para a chuva e para o vento, 70 pesos para ir até à ilha e ficar dentro do bote com o piloto, ou 150 para sair do barco com o guia e percorrer a ilha pelo meio dos pinguins. O Dan não pensou duas vezes, pagaria os 150 pesos. Quem me conhece adivinha que pensei umas três ou quatro vezes, ponderei esperar por ele na estância acompanhada pela Flu e pelo romance do Paul Auster, perguntei a que distancia dos pinguins ficava o local onde param o barco e decidi pagar meio bilhete! (já estão a imaginar o que é ir fazer as compras do mês lá para casa aqui com a doutora)


Todos a bordo. Dois miúdos canadianos, dois cotas espanhóis, um casal alemão e outro de argentinos, o Dan, Andre – el capitan – o guia, eu e o meu livro. No início da viagem fixei-me na paisagem, nas ondas do mar que salpicavam os óculos de Andre, alto e corpulento de queixo erguido, que conduzia de pé e apesar da ondulação emanava uma sensação de enorme estabilidade. Podia ver-se Puerto Williams na outra margem do canal e do lado argentino Harberton tornava-se indistinguível. Depois entretive-me a contar a nossa viagem e a minha vida aos demais e na última parte do percurso o guia colocou-se estrategicamente à frente dos dez turistas, sentados debaixo do toldo de plástico improvisado, e falou-nos das espécies de pinguins que iríamos encontrar na ilha, a sua história e o seu comportamento. Devia achar que éramos um bocado limitados uma vez que repetiu tudo duas vezes. Só depois me apercebi que uma foi em castelhano e outra em inglês.
Entre as várias coisas que nos disse, gostei especialmente de uma particularidade dos pinguins. Os ditos cujos tem apenas um conjugue em toda a vida! Com excepções, logicamente, mas na sua maioria são fiéis ao seu parceiro, e depois dos 6 meses que ciclicamente passam no mar, separados um do outro, regressam à base e reencontram-se. Não é demais?!
Assim que nos aproximámos da ilha ninguém mais quis saber dos esclarecimentos do guia. Centenas de pinguins faziam do areal uma praia lotada! Ao longe parecia uma reunião de homenzinhos atarracados vestidos de fraque. Muitos homenzinhos. Muito atarracados.


O barco atracou na areia e o guia exigiu a nossa atenção para nos informar das regras do passeio, que duraria cerca de quarenta minutos e incluía uma visita a todo o habitat daquelas criaturas cómicas, com as quais é terminantemente proibido o contacto físico. Eu, que não precisaria dessas instruções, não tirei os olhos dos pinguins, a uns dez metros de nós, e nos momentos em que desci ao planeta para recuperar do deslumbre extenuante, ouvi não mais que palavras soltas como “fotos” e “cócoras”.


O guia saltou para a areia e ajudou os turistas a descer, um a um. Eu filmava o que mais tarde será um filme de Manuel Oliveira, quando Andre se aproximou e me disse que saltasse do barco. “Puedo bajar para filmar”, perguntei-lhe contente. “No. Puedes bajar para ir con los otros! Te cobrare solamente los 70 igual…”, piscou-me o olho.
Saltei do barco felicíssima!
Os pinguins são engraçadíssimos. Na verdade são uns trogloditas e nessa característica reside grande parte do seu carisma. São pássaros, mas não voam. Tem figura de freira, mas andam como um bêbado cambaleante. São calmos, mas os seus gestos são repentinos, como se nervosos. Pareciam não se incomodar com a nossa presença, o que faz algum sentido já que nós estávamos nitidamente em minoria. Mais a mais limitávamo-nos a observá-los enquanto o guia despejava todo o conhecimento teórico acerca das várias espécies. (segundo a inezinha, e até há bem pouco tempo, havia uma espécie de pinguins, muito rara, que voava. Esta mulher ainda se arrisca a um Nobel da ciência).


A princípio estava um bocado nervosa, com medo de fazer asneira pois não escutara peva do regulamento. As palavras “fotos” e “cócoras” soavam na minha cabeça. Será que não me podia pôr de cócoras para tirar fotos? Não fazia sentido, mas pelo sim pelo não mantive-me esticadinha e junto ao grupo, de câmara na mão sempre no on, e contrariando a enorme vontade de ir fazer um amigo entre os pinguins. Entretanto o Dan elucidou-me que só não podíamos gritar, afastar-nos muito do grupo ou tocar nos pinguins. Podíamos aproximar-nos desde que suavemente e de cócoras para que não se sentissem ameaçados e quanto a tentar fazer amizade com um pinguim, o guia nada referiu.
Andámos por toda a ilha, vimo-los reunidos em conspirações secretas, espreitámos os seus ninhos (toca de pinguin magalhanico)– que são mais como tocas – invadimos a privacidade de uns pobres coitados que estavam a trocar de roupa e tinham acabado de tirar o casaco de peles, digo, de penas, ficando obviamente incomodados com a nossa presença – vocês também não gostariam de ser apanhados com as calças na mão e pior ainda, ser fotografados!
(pinguin a trocar de penas)
Mas a fotografia é outro assunto. Constatámos que aqueles seres adoram posar para as câmaras. Conseguem manter uma expressão estática para o fotógrafo mais demorado, sem timidez, e no olhar um subtil vestígio de vaidade, até. Elegemos para melhor modelo do ano o único espécime de pinguim Pygoscelis papua que encontrámos.


Estava isolado com o mar e as montanhas de fundo, posou para uma longa sessão fotográfica em diferentes ângulos e seguiu-nos até ao grupo de pinguins Spheniscus magellanicus para onde nos dirigimos depois.


Quando terminou a volta à ilha, o vento soprava tão forte e tão frio que todos nos sentimos aliviados por partir, que apesar do patrocínio aparente TheNorthFace, já não suportávamos o rasgar do vento e das lâminas afiadas do frio nas mãos e na cara. Os pinguins, salvo dois ou três que vi abrigarem-se atrás de um tronco, continuavam na praia, impávidos e serenos, qual “northface” qual nada, e alguns ainda entravam e saíam da água como se fosse um piscina aquecida.


A estância repousava sob a luz do entardecer e todos levámos o brilho dessa luz no olhar.
Posted by Inês at 21:30


Fonte: aminhaviagempelaamericadosul.blogspot.com




PINGUINS NA PATAGÔNIA


...Ver pingüins na Patagônia


A melhor época para ver o desfile dos pingüins vai até o meio de dezembro, quando todos estão por ali para acasalar e parir


Matéria publicada na edição 97 (Novembro/2007) de Próxima Viagem


por: Ricardo Rollo


Nem é tão longe de Buenos Aires assim. Um vôo de menos de duas horas ou uma jornada rodoviária de cinco horas a partir da capital Argentina leva o felizardo até a Península Valdés, no norte da Patagônia, para ficar cara a cara com pingüins, elefantesmarinhos, leões-marinhos e baleias. A melhor época para ver o desfile da fauna vai até o meio de dezembro, quando todos estão por ali para acasalar e parir. São 250 quilômetros de litoral que podem ser percorridos sobre rodas em um dia, apesar de dois dias ser o mais indicado. Na península, onde há a agradável cidade de Puerto Pirâmide, ideal para pernoites simples e confortáveis, você já terá visto milhares de pingüins de Magalhães, mas se sobrar tempo e apetite ecológico, vale a pena seguir até Punta Tombo, 180 quilômetros ao sul, onde está uma das maiores "pingüineiras" do planeta - é mais de meio milhão de aves andando com jeito desengonçado e mergulhando com tanta destreza que parecem estar voando na água. Com altura na faixa dos 70 centímetros e pouco mais de 5 quilos, os pingüins chegam em setembro, mas é em novembro que os ovos começam a quebrar e a nova geração surge.


Fonte: www.proximaviagem.com.br




PATAGÔNIA ARGENTINA


Terra do Fogo (Cone Sul)


NOS CONFINS DA PATAGÓNIA


Verdadeira espinha dorsal, os Andes (com picos acima dos sete mil metros) fazem da Patagónia um território de extremos naturais: a Oeste, a faixa de montanhas chilenas densamente povoadas de florestas; a Este, a meseta semi-árida argentina.


Texto e fotos: Alexandre Coutinho
Texto originalmente publicado na Revista do Expresso


UM ESTRONDO ensurdecedor rasga subitamente o silêncio, vibrante e aterrador como um trovão. A pouco mais de 200 metros do glaciar, as atenções centram-se de imediato no último desprendimento de gelo que se abate sobre as águas dos lagos Brizo Rico e de Los Tampenos. A violência do desmoronamento desfaz a parede do glaciar num misto de estilhaços de gelo e de grandes blocos, que partem à deriva feitos icebergs, numa longa e inexorável transformação em água.


O glaciar Perito Moreno, um dos últimos glaciares vivos do planeta, estende-se numa frente de cinco quilómetros que avança continuamente sobre o lago Argentino. Sob a pressão incalculável do glaciar, a falésia de gelo estala e não resiste ao estrangulamento das montanhas que formam as margens do lago, ao choque térmico e à fusão das suas moléculas em água. Ciclicamente (o último caso ocorreu em 1988), as tensões acumuladas nesta luta de titãs provocam um desprendimento geral de toda a parede, que atinge, em média os 50 a 60 metros de altura. Um dia, o degelo dos glaciares da Patagónia será um barómetro do aquecimento global do planeta.


Um pouco mais a Sul, já do lado chileno, pontifica o glaciar Grey, no centro de um estonteante desfilar de vales, lagos, rios e montanhas que constituem o Parque Nacional de Torres Del Paine. Criado em 1959 e declarado «reserva da bioesfera» pela UNESCO, em 1978, é conhecido pelos seus penhascos («Cuernos del Paine») que se elevam a 2600 metros. É, provavelmente, o melhor parque natural de toda a América do Sul. Os seus 240 mil hectares abrigam mais de uma centena de espécies de aves e duas dezenas de mamíferos, entre os quais pumas, raposas, lebres, veados e guanacos. O Guanaco (da família dos lamas) é um dos animais mais emblemáticos da Patagónia. Desloca-se, geralmente, em manadas de 20 ou 30 indivíduos, mas não é díficil encontrar animais isolados. Nas montanhas e ao largo da costa, avista-se com frequência o rei dos Andes, o condor, com o seu voo majestoso e uma envergadura de asa que pode chegar aos três metros.


Dependendo das definições, a Patagónia é a região mais austral da América do Sul, rodeada pelos oceanos Pacífico e Atlântico e tendo por limites, a Norte, os rios Colorado e Bío-Bío. Esta enorme península com mais de um milhão de quilómetros quadrados corresponde a um terço do Chile e da Argentina, mas é habitada por apenas cinco por cento da população dos dois países. Verdadeira espinha dorsal, os Andes (com picos acima dos sete mil metros) fazem da Patagónia um território de extremos naturais: a Oeste, a faixa de montanhas chilenas densamente povoadas de florestas; a Este, a meseta semi-árida argentina.


«Em Puerto Montt, só temos duas estações: a do Inverno e a dos comboios», o comentário ouvido da boca de um guia turístico poderá, certamente, ter algo de exagerado. Mas o vento frio e a chuva que cai ininterruptamente naquela manhã de Agosto (Inverno, no Hemisfério Sul), faz temer o pior relativamente ao clima na Terra do Fogo. As próprias casas de madeira (a matéria-prima por excelência da região) são pintadas das mais variadas cores para contrastar com o tempo frio e cinzento. As temperaturas médias não ultrapassam os 10 graus centígrados, no Verão e os zero graus, no Inverno. Os ventos sopram com maior intensidade na Primavera e no Verão e as precipitações anuais são da ordem dos 600 milímetros.


Deixando para trás a civilização, é o regresso aos grandes espaços, às paisagens de abrir grande os olhos e deixar fluir os pensamentos sem que estes se fixem numa qualquer referência conhecida. Apesar de deslumbrante, a região nunca recuperou da catástrofe ecológica da queima da floresta nativa pelos pioneiros, no ínicio do século. O objectivo era o de desbravar o mato para abrir campos de pastagens e culturas, mas ninguém contava que o clima conservasse os troncos caídos ao longo de décadas. Ainda hoje, largas extensões da patagónia chilena são constituídas por vastos cemitérios de árvores centenárias. Estima-se que foram destruídos, desta forma, mais de dois milhões de hectares de floresta virgem.


Ao passar, de novo, a fronteira para a Argentina, a paisagem muda radicalmente. De um lado, a floresta e as encostas de montanha batidas pelo vento e pela neve, do outro, a paisagem sem fim de um deserto de pedras ou as pampas de vegetação rasteira, uma planície apenas entrecortada por rios e desfiladeiros. Ao longe, o cone e a cratera de um vulcão extinto.


As pistas são largas, com bom piso, mas traiçoeiras nas curvas e nos desníveis. Apesar das distâncias, estas pistas estão perfeitamente sinalizadas, ao contrário do que sucede no Perú e na Bolívia. No ar, o pó típico a toda a região andina, entra progressivamente no carro, nas roupas e, claro, no nariz.


À entrada do Parque Nacional de Pali-Aike, três jovens raposas Zorro Gris aguardam com muita curiosidade a azáfama dos fotógrafos para captar a sua imagem através das objectivas. Foram introduzidas pelos colonos com a missão específica de neutralizar a população excedentária de lebres, também elas, introduzidas pelos pioneiros uns anos antes. Este é, por excelência, o território dos nandús, primos das avestruzes africanas, mas bem mais pequenos.


Subitamente, as montanhas dos Andes desaparecem, dando lugar a uma «pampa» a toda a largura do horizonte e uma costa entrecortada por múltiplos riachos e estreitos que o mar envolve tranquilamente. Chegámos ao fim da América do Sul, enquanto continente e, finalmente, ao célebre Estreito de Magalhães. Do outro lado, a ilha da Terra do Fogo, baptizada com este nome por Fernão de Magalhães, dada a enorme quantidade de fogueiras acessas pelos índios Onas e Yamana nas suas margens. Os índios mantinham-nas acessas noite e dia, como forma de protecção contra o frio e para cozinhar os alimentos.


Atravessámos o estreito de «ferry boat» (cerca de 20 minutos) na sua zona mais estreita, para Punta Delgada. De Punta Arenas a Porvenir, a largura do estreito requer quase duas horas para ser transposta. «Las Malvinas son argentinas», pode ler-se em todos os postos fronteiriços e zonas militares. Nas principais localidades existem memoriais à guerra das Malvinas que opôs a Argentina ao Reino Unido em 1983, com palavras de ordem e de vingança de uma derrota mal digerida. Por outro lado, a definição da fronteira entre o Chile e a Argentina no labirinto de ilhas e estreitos da Patagónia, constitui um quebra cabeças que está longe de ser resolvido a contento de ambas as partes. Herança da guerra ou simples estratégia de intimidação do «inimigo», largas faixas da margem do Estreito de Magalhães estão minadas, mas devidamente sinalizadas para evitar acidentes com a população local. Curiosamente, a grande maioria nem sabe que Hernando de Magallanes era um navegador português.


A Terra do Fogo é uma ilha sensívelmente do tamanho da Irlanda, que constitui como que uma miniatura de toda a Patagónia. A fronteira foi traçada à régua, deixando a metade ocidental no Chile (região de Magallanes) e a metade oriental à Argentina (Provincia Tierra Del Fuego). O Norte é muito menos montanhoso do que o Sul, estendendo-se ao longo de muitas pastagens para gado ovino e bovino. A estrutura agrária está organizada em «estâncias» que adoptam designações inspiradas nos ranchos norte-americanos (Flórida, Califórnia, etc...). Aqui as pistas de terra são mais estreitas, mas rolantes, ondulando com a orografia do terreno. A ilha também foi cenário de uma corrida ao ouro, da qual ainda existem ferrenhos resistentes, apesar do filão ter acabado há muito. Marco histórico dessa época aúrea, a draga mineira construída no Reino Unido, em 1910 e despachada de barco para a Terra do Fogo, que jaz no leito seco de um rio outrora próspero.


Aparecem os primeiros lagos gelados e tudo indica que as montanhas vão regressar à paisagem. Finalmente, Ushuaia («baía que penetra até ao poente», na língua dos índios Yamana). A cidade mais meridional do planeta foi erigida numa belíssima baía do Canal Beagle e está rodeada por montanhas cobertas de neve (neva quatro a seis meses por ano e chove copiosamente durante todo o Inverno).O cenário ultrapassa tudo o que o visitante esperaria do fim do mundo, a escassos 130 quilómetros do Cabo Horn e a pouco mais de mil quilómetros da Antártida.


Fundada a partir de uma missão anglicana, em 1871, Ushuaia foi escolhida, no ínicio do século para a construção de uma colónia penal para condenados a penas pesadas ou a prisão perpétua. A história da Terra do Fogo esteve sempre ligada ao mar (até 1948, data do começo dos primeiros voos comerciais, a única ligação ao continente era feita de barco) e Ushuaia cedo ganhou galões como base naval da Marinha Argentina (1950). A cidade foi sempre crescendo ao ponto de ter duplicado a sua actividade nos últimos 12 anos. Hoje, vivem na cidade entre 42 e 45 mil pessoas e chegam continuamente novos habitantes. Como capital da Província da Terra do Fogo, alberga cerca de cinco mil funcionários públicos e, como zona livre de impostos, não tardou em atrair as mais variadas indústrias, com destaque para a electrónica (Aurora Grundig, Toshiba e Philco), a pesca e o turismo. É a província argentina que apresenta o maior índice de crescimento anual: 30 por cento, em 1997.


Fonte: www.janelanaweb.com




GELEIRAS DA PATAGÔNIA


Patagônia


Geleiras enormes, campos áridos e montanhas espinhosas. Vistas de baixo, parecem catedrais de gelo, com picos de um azul profundo. De cima, um deserto branco. As geleiras são as grandes atrações da Patagônia. Em nenhum lugar da Terra elas são tão acessíveis. E nenhuma delas é tão acessível como o Glacial Perito Moreno (foto), na Argentina. Da altura de um prédio de 20 andares, os imensos paredões podem ser avistados de barco, que chega razoavelmente perto, ou das passarelas construídas no Parque Nacional Los Glaciares. Ou ainda percorridas em um trekking sobre o gelo. Ao fim, os aventureiros têm direito a uma dose de uísque para esquentar o corpo. O gelo? É só abaixar e pegar. Perito Moreno tem cerca de 250 km2 e está em constante mutação. É uma das poucas geleiras no mundo que continuam crescendo. Dá para ouvir os estrondos das acomodações que ocorrem em seu interior – sim, o espetáculo também é sonoro. E observar os blocos, às vezes do tamanho de um carro, que se desprendem e caem, levantando água ao seu redor. Terreno móvel: Os blocos que se soltam das geleiras vão ficando cada vez menores ao se aproximarem da praia (na foto, a Laguna Torre, na Argentina). Dias nublados são comuns na região, mas, quando o sol brilha, tudo resplandece. O pôr-do-sol acontece em preguiçosas duas horas e tinge a paisagem de matizes variados de vinho, vermelho e rosa, permitindo longas contemplações. Como poucas regiões no planeta, a Patagônia manteve-se imaculada, pelas difi culdades de se desbravar solo tão ermo. Ocupando um terço do território argentino e boa parte do chileno, menos de 5% da população desses países vive por lá, o que garante lugares praticamente intocados. Mesmo assim, suas geleiras correm risco de extinção: com o aquecimento global, os glaciais estão derretendo mais rápido do que nunca. A Patagônia é a região que detém a terceira maior massa de gelo do mundo, o Campo de Gelo Patagônico Sul. Só fica atrás da Antártida e da Groenlândia. Árida paragem: A combinação de ventos fortes, baixa umidade e nevascas faz com que a vegetação seja muito seca na maior parte da Patagônia. As estepes são dominadas por gramíneas e arbustos baixos, que servem de alimentação para poucas espécies, como o nativo guanaco (um parente da lhama) e o condor. Dos animais domésticos, o que mais bem se adaptou às adversidades do clima foi a ovelha, trazida pelos colonizadores europeus. O Parque Nacional Torres del Paine, que é considerado Reserva da Biosfera pela Unesco, foi criado em 1959. Antes, a área servia como pasto para ovelhas. Mas nem tudo é aridez nesse parque que é tido, com justiça, como um dos mais bonitos do planeta. As encostas das montanhas são cobertas de coníferas, refletidas em lagos verde-esmeralda. Dizem que foi lá que Walt Disney se inspirou para criar a floresta verdejante de Bambi. Montanha mágica: Se as geleiras se revelam com facilidade aos olhos dos viajantes, o mesmo não se pode dizer dos picos. O Cerro Torre (foto), com 3102 metros de altitude, na Argentina, é o mais difícil de todos. Você pode ficar semanas aos seus pés e nunca ver o cume, quase sempre escondido pelas nuvens. Desafio ainda maior têm os alpinistas. Todos os anos, equipes experientes de diversos países passam meses na região, esperando uma oportunidade para escalá-lo. As montanhas atraem também os amantes das caminhadas. A tarefa deles é mais fácil. Um passeio de cerca de duas horas leva aos primeiros mirantes. Durante as trilhas do parque – e são muitas –, tem-se a sensação constante de estar desbravando um lugar inóspito, mas ao mesmo tempo inspirador. veja mais Horizontes Vistas de baixo, parecem catedrais de gelo, com picos de um azul profundo. De cima, um deserto branco. As geleiras são as grandes atrações da Patagônia. Em nenhum lugar da Terra elas são tão acessíveis. E nenhuma delas é tão acessível como o Glacial Perito Moreno (foto), na Argentina. Da altura de um prédio de 20 andares, os imensos paredões podem ser avistados de barco, que chega razoavelmente perto, ou das passarelas construídas no Parque Nacional Los Glaciares. Ou ainda percorridas em um trekking sobre o gelo. Ao fim, os aventureiros têm direito a uma dose de uísque para esquentar o corpo. O gelo? É só abaixar e pegar. Perito Moreno tem cerca de 250 km2 e está em constante mutação. É uma das poucas geleiras no mundo que continuam crescendo. Dá para ouvir os estrondos das acomodações que ocorrem em seu interior – sim, o espetáculo também é sonoro. E observar os blocos, às vezes do tamanho de um carro, que se desprendem e caem, levantando água ao seu redor.


Fonte: veja mais Horizontes | Edição Mar 2007 | Edições Anteriores




INFORMAÇÕES SOBRE A PATAGÔNIA


Patagônia


Na Argentina, está situada ao sul do Rio Colorado e se divide em duas sub-regiões: a primeira constituída por cadeias montanhosas permeadas por vales, bosques, lagos e geleiras, e, a segunda, formada por uma gigantesca meseta de variada morfologia, constituída por serras, desertos, depressões, infinitas estepes e amplos vales fluviais.


Ocupa as províncias de La Pampa, Neuquén, Rio Negro, Chubut, Santa Cruz e Tierra del Fuego. Todas têm em comum a enorme beleza de suas paisagens, as grandes distâncias e sua pouca densidade de populaçao.


Do lado da cordilheira se destaca a magnificência de suas montanhas, bosques incríveis que emolduram lagos de águas cristalinas, geleiras milenárias e uma rica variedad de fauna enquanto que do lado Atlântico a que reina é a baleia franco austral quem compartilha as àguas com orcas, lobos e elefantes marinhos, pingüins e golfinhos overos.


Entre as montanhas da cordilheira dos Andes e a bravura do oceano Atlântico, as áridas mesetas varridas por incontroláveis ventos, encerram em seus vales múltiplas e curiosas riquezas naturais e culturais.


Santa Cruz oculta tesouros como os Bosques Petrificados e o Glaciar Perito Moreno. Chubut há também tesouros culturais bem conservados, como as localidades do Gaiman e Travelín. Ali, os desendentes dos colonos galeses que chegaram no final do século XIX à província do Chubut, ocupam-se de manter vivas as tradições de seus antepassados.


Um circuito especialmente dotado de beleza é o denominado “Ruta de los 7 Lagos” em Neuquén, para viajar desde Junín de los Andes até San Carlos de Bariloche (Rio Negro), destino turístico por excelência. Esta cidade atrai a milhões de turistas que praticam esportes invernais, turismo aventura ou a simples contemplaçao da natureza.


No extremo sul está a cidade da Ushuaia. Entre as visitas obrigadas se encontram os Museus do Fim do Mundo, o antiguo Presídio e o Trem do Fim do Mundo que chega até o Parque Nacional Tierra del Fuego.


Clima:


As temperaturas registradas variam desde as mais baixas do continente até os 45ºC, desabando chuvas torrenciais na zona nos bosques cordilheiranos do Chile enquanto o ar é tórrido e seco nos desertos da meseta central argentina.


Vegetação:


Incluindo o deserto, a estepe, a tundra, a floresta fria e os bosques austrais, uma razoável parcela da Patagônia está protegida pela criação de pelo menos 12 parques e reservas nacionais na Argentina e outro tanto em território chileno.


Relevo:


Reunindo uma grande diversidade de paisagens e habitats que variam desde a alta montanha, os campos de gelo.


São comuns as geleiras gigantescas, montanhas, lagos e rios formados de degelo, bem como paisagens pampeanas, desertos e bosques de árvores típicas da floresta úmida como alerces e araucárias centenárias.


Litoral:


A pesca, a pecuária, a lã, as frutas e o petróleo são os principais produtos da região, além do turismo. O litoral é famoso por reunir algumas das maiores colônias de pingüins do mundo, além de ser santuário para reprodução de baleias, lobos marinhos e uma enorme variedade de pássaros.


História e Cultura:


Tanto no Chile quanto na Argentina a acolhida ao turista é hospitaleira, qualidade que se ressalta no homem do interior acostumado à vida isolada em razão das grandes distâncias.


A cultura e os hábitos do homem pampeano, representado no Brasil pela figura do gaúcho, presente no Rio Grande do Sul e em partes de Santa Catarina e do Paraná, adentra Argentina e prolonga-se em direção ao sul por uma faixa ininterrupta até os confins da Terra do Fogo, mesclando-se com bolsões de descendentes de imigrantes europeus com a forte cultura indígena autóctone.


Assim, não será nenhuma surpresa se, em algum destes países, o viajante for convidado a sentar-se frente ao fogo e acolhido com uma cuia de chimarrão, localmente chamado de mate, representando não só a bebida nacional como também um franco e representativo sinal de hospitalidade.


Fonte: www.argentour.com




PATAGÔNIA


Patagónia


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Paisagem da Patagônia.Patagónia ou Patagônia é uma região natural no extremo sul do continente americano que abarca a parte sul do Chile e da Argentina, incluindo os chamados Andes patagónicos. A região é assim chamada pelo fato que os nativos possuiam pés grandes( patagão=pé grande).


A região do extremo sul do continente americano, conhecida pelo locais como Região de Magalhães, compreende o sul da Argentina e o sul do Chile. A região mais meridional do continente é conhecida como Terra do Fogo (Tierra del Fuego). Nessa região está localizada a cidade mais austral do planeta, Ushuaia.


A patagônia é uma região marcada pelos ventos que ocorrem em grande parte do ano.


Dessa região é que partem as famosas excursões para a Antártica.


Além de leões-marinhos, nessa região existe uma grande concentração de pingüins.


Fonte: wikipedia



PATAGÔNIA ARGENTINA


Patagônia Argentina é um vasto território cheio de mistério, que tem um forte magnetismo, e um incrível poder de sedução, capaz de apaixonar todo aquele que se aproximar destas terras deixando-se abraçar pela imensidão de seus horizontes, até se entregar rendido frente a tão contundente demonstração da insignificância do ser humano diante da sublime grandeza da natureza.


Enigmática como poucas regiões no mundo, a Patagônia propõe seu primeiro desafio ao tentar decifrar a origem de seu nome. Sobre ele, existem diferentes versões que indicam a Fernão de Magalhães como autor.


Uma delas associa o nome à observação, por parte do navegante, de grandes pegadas realizadas pelos Tehuelches, um povo nativo da região, que se caracterizavam por serem altos e terem uma forte contextura. Outra, diz que Magalhães utilizou o termo “Patagón”, fazendo alusão a um monstro literário, personagem de uma famosa novela medieval.


Formada pelas províncias de La Pampa, Neuquén, Río Negro, Chubut, Santa Cruz e Tierra del Fuego, com uma superfície de 930.731 Km² e uma população total de 2.037.545 habitantes, cada lugar da Patagônia Argentina oferece variadas opções de descanso, lazer e aventura, em um contexto onde a exuberante natureza é a grande protagonista.


La Pampa, com a plenitude de seu campo e as longas cavalgadas até o entardecer são um sinal inequívoco da infinita planície pampeana povoada de tradicionais fazendas, permitindo desfrutar das tradicionais churrascadas argentinas, atividades de campo e a típica música do lugar. Neuquén, berço dos dinossauros, combina o que há de mais agreste no estepe patagônico com o brilho de seus lagos e vales repletos de vegetação. Río Negro, com seu mar de água morna e transparente, onde vales, eventos esportivos, e estepe, convivem com paisagens místicas, pinturas rupestres e a diversificada fauna autóctone da região. Chubut, é um lugar onde o oceano expõe todo o seu esplendor, e onde baleias e golfinhos fazem um espetáculo comovedor junto a pingüins e lobos-marinhos. Santa Cruz, tem uma variedade de ambientes naturais virgens e magnânimos, custodiados por centenas de glaciares que surgem na imensidão da paisagem. Tierra del Fuego, o extremo mais austral da América, é uma terra de sonho e magia, onde é possível desfrutar no inverno as noites mais longas e viver no verão os dias mais luminosos e compridos.


Toda a Patagônia Argentina, sua gente, suas paisagens e sua forte cultura ancestral, são um convite para descobrir a magia do sul do mundo.


Fonte: www.patagoniaturistica.org.ar




VIAGEM À PATAGÔNIA


Experiência de Viagem: Patagónia e Terra do Fogo, Argentina e Chile


Cheguei a Puerto Natales numa tranquila e luminosa tarde de primavera. Esta aldeia piscatória chilena da província de Magallanes situa-se no interior de um grande fjord e parece flutuar nas suas águas. Ao longe vêem-se inúmeros cumes rochosos nevados e a ponta de alguns glaciares que flúem para a lagoa.


Daqui parte-se para o parque nacional das Torres del Paine, o que mais me entusiasmou em toda a viagem. No caminho vamos observando bandos de guanacos (espécie de lamas) que são muito dóceis, e flamingos e cisnes nos lagos. A paisagem da Patagónia é uma planície de estepe desértica onde os horizontes são muito vastos, com gargantas cavadas por rios revoltos e elevadas mesetas talhadas pela intempérie. De vez em quando vê-se ao longe um oásis de arvoredo verdejante e percebe-se que aí se situa uma estancia. As estradas são de terra batida e detectam-se outros veículos ao longe pela coluna de poeira que levantam. Os veículos são equipados de uma rede de metal que lhes protege o pára-brisas. Frequentemente detectam-se sobre alguma colina os gaúchos a cavalo que vigiam as ovelhas de pelo longo e espesso.


A flora do parque de Paine é muito variada, florida e colorida em meados de Dezembro. Abundam os lagos, os ribeiros, as torrentes e as cascatas, algumas caem do alto dos rochedos. Há uma grande diversidade de agulhas rochosas e de formações geológicas admiráveis de que destaco as elegantes Torres del Paine, que ilustram a capa do catálogo deste ano, e os formidáveis Cuernos del Paine. A visão destes acompanhar-nos-á durante várias etapas de marcha.


Sempre imaginei que o clima sub-ártico destas paragens deveria ser muito frio. Mas durante a minha estadia gozei sempre de um sol radioso e caminhei em manga curta. Também sabia que as condições meteorológicas poderiam ser radicais e estava curioso em saber de que forma.


Um dia apanhei um vento tão forte como jamais tinha sentido! Caminhava ao longo do lago Nordenskjöld, felizmente com o vento pelas costas, e frequentemente era empurrado (às vezes erguido) para fora do carreiro. O vento levantava as águas da superfície do lago e elevava-as em nuvens que avançavam por terra dentro. Só no intervalo das rajadas era possível fotografar sem tremer, mas mesmo assim tinha de apoiar-me num rochedo.


O lago Grey está situado num sector em que o vento parece nunca abrandar. Tem um refúgio na margem donde apreciamos inúmeros pitorescos icebergs vogando para sotavento. É formado pelas águas do imenso e longo glaciar Grey que flúi para o lago e vai largando grandes blocos de gelo.


Estava apreciando o fim de tarde na margem do lago quando passou uma raposa caminhando tranquilamente mirando em redor.


É aliciante a longa duração dos dias nestas paragens: nesta época o dia dura 18h e o crepúsculo dá-se lá para as 22h! Desta forma os dias longos aproveitam-se muito melhor.


Visitei depois o parque de los Glaciares onde realizei duas etapas de marcha para aproximar-me das várias esplêndidas agulhas dos sectores dos montes Fitz Roy e Cerro Torre que se elevam acima dos seus glaciares. Ambas possuem bonitos lagos de cor verde que são alimentados pelos gelos.


Esta cumeada situa-se no limite do conhecido Hielo Continental de que o glaciar Perito Moreno é uma monstruosa amostra. Iremos até ao mirante donde se aprecia a sua colossal estrutura com mais de sessenta metros de altura e onde poderemos ter a sorte de ver a derrocada de algum grande bloco de gelo que cai na água com estrondo.


A fauna deste parque é variada e vi inúmeros casais de gansos (cauquéns) e de patos, muitos com crias, nos lagos à beira do carreiro. Durante a descida da Laguna de los Tres tive um encontro muito interessante com um grande pica-pau patagónico macho, de cabeça escarlate. Deixou-me observá-lo e fotografá-lo a cinco metros de distância durante o tempo que eu quis enquanto bicava um tronco de árvore tombado à procura de larvas. Também vi alguns majestosos condores planando nos ares em busca de presas.


Acima de tudo, o que mais me surpreendeu na Patagónia foi o céu: vasto e muito luminoso, o ar límpido, as nuvens impelidas pelo vento e em constante mutação dando-lhe múltiplas e curiosas formas.


O voo que nos leva a Ushuaia na Terra do Fogo atravessa um território inóspito e despovoado, com imensas florestas, lagos e montanhas onde se vêem alguns glaciares descendo dos seus flancos.


Esta vila no fim do Mundo está envolta em cumes nevados e é muito panorâmica. O canal Beagle atravessa o continente à sua frente e dá-lhe um amplo desafogo e uma tremenda luminosidade.


Ushuaia começou por ser terra de degredo, cuja penitenciária está transformada em museu. A seguir vieram os pioneiros: madeireiros, mineiros e pescadores. O clima é muito agreste e rigoroso e as comunicações são muito difíceis. Comprei um curioso mapa que assinala os naufrágios naquelas costas desde o séc XVII e os seus ícones contam-se às muitas dezenas. Não é por acaso que os ventos na região são conhecidos por the roaring forties. A vida aqui é muito difícil sobretudo durante o inverno austral.


Naveguei no canal até aos ilhéus que estão a meio e onde existem colónias de lobos marinhos. São várias as dezenas de animais que jazem sobre os rochedos, comprimidos uns contra os outros, normalmente de ventre para o ar. As gaivotas esvoaçam por entre eles à procura de restos de peixe. Às vezes vê-se passar um pinguim nadando, possivelmente migrando para outro ilhéu. Desembarcámos e fomos conhecer alguma da sua interessante flora endémica e estivemos bastante tempo a observar e a fotografar uma colónia de cormorans que nidificam numa falésia ao abrigo do vento.


Percorri o caminho costeiro do parque da Terra del Fuego através de uma Natureza bem conservada e nada perturbada. Passei por curiosas zonas alagadas devido aos diques construídos pelos castores onde muitas árvores foram por eles derrubadas. Numa dessas clareiras estive observando uma enorme colónia de chimangos, uma ave de rapina aparentada à águia, e que também não se perturbaram com a minha presença.


Percorri a pé um bom troço ao longo do rio Lapataia e pude constatar que as aves lacustres abundam em quantidade e em variedade. É um grande prazer ver garças debicando o lodo da margem, bandos de patos levantando voo ou as gaivotas que buscam crustáceos.


Você não poderá abandonar a Argentina sem experimentar o maté. Esta espécie de chá exclusivo do País é preparado em recipientes próprios, normalmente uma cabaça, e sugado por uma palhinha, a bombilla. Tomar um maté é essencialmente participar num ritual social muito enraízado na cultura argentina em que se partilha uma bebida quente e confortante de sabor acre. Se vir as pessoas no autocarro, na praia ou caminhando na rua com um termos na mão saberá que essa água servirá para preparar um maté.


Gonçalo Velez
Mar 00


Fonte: www.rotasdovento.pt

 

 

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