Dicas de Buenos Aires


Abaixo as dicas de quem já foi e tem muito a ensinar:



TAXIS

Os taxis em Buenos Aires são muito baratos, e usados o tempo todo pelos portenhos para seus deslocamentos. Assim, use e abuse.

E, é claro, desconfie se achar caro...



PLAZITA SERRANO

Este nome mágico descreve um lugar que é mais um ... estado de espírito. Uma pequena pracinha, encravada no boêmio bairro de Palermo Viejo, cercada por umas três quadras prá cada lado, cheias de pubs, boutiques, livrarias alternativas, e maluquezas em geral.

Um must, prá depois das 22:00 horas.



SHOWS DE TANGO

Ainda que pareça coisa de turista, não deixe de, pelo menos uma vez na vida, assistir a um show de tango. É impressionante, é forte, realmente fascina. Com um Don Valentin Lacrado à mão... fica muito melhor!




O tango se manifesta hoje nas letras: muitas das palavras do tango vêm do “lunfardo” (gíria); a música: o bandônion lhe deu à música popular do Río de la Plata o toque de queixa e melancolia que hoje identifica o tango. Também estão as “milongas”, que são lugares onde as pessoas vão dançar. Muitas delas organizam aulas. 35 locais (TANGUERIAS) oferecem espetáculos de cenário: tango de coreografia sofisticada com bailarinos profissionais. O show inclui o jantar. Milhares de bailarinos e três milhões de fanáticos . Em Buenos Aires, Carlos Gardel aprendeu a cantar tango. 50 salões de baile (MILONGAS) onde todos os dias da semana se pode ir dançar e participar das aulas. Dança-se com música gravada ou com orquestras ao vivo. Ademais, oferece-se aulas de dança em muitos centros culturais. As aulas duram entre uma e duas horas. O ideal é tomar quatro ou cinco aulas. Desde a primeira aula os professores preparam os principiantes para que possam dominar o passo básico: oito movimentos simples que qualquer um pode aprender em poucas horas.

O Tangodata proporciona completa informação das atividades relacionadas com o tango: espetáculos, cursos, milongas, artistas.


http://www.tangodata.gov.ar



CEMITERIO DA RECOLETA

Pois vão dizer que o cara enlouqueceu, dando dica de cemitério... mas é o seguinte : túmulo da evita peron e do carlos gardel, imperdíveis ! sempre tem malucos, fâs alucinados, etc. fazendo performances ( algumas impressionantes, mesmo ) , etc.

Believe it - or not...



LUNA PARK


A disneyworld de pobre - mas bem honesta, com montões de brinquedos, montanha-russa, e todas essas engronhas que saltam, pulam e fazem o vivente vomitar... e adorar. sempre cheia de gente bonita - os argentinos são bonitos, há que se admitir ; pode ser um ótimo programa de sábado ou domingo à tarde, dentro da cidade.

mmmm - deixe na manga, pelo menos.



BOCA

Não dá prá não ir. Como o Corcovado, Torre Eiffel, etc. , a Boca tem tanta história que merece sua visita.

É berço da cidade, tem toda a lenda do tango e uma arquitetura pitoresca. E tem artesanato, shows de.. tango, é claro, pubs e restaurantes.



PALERMO
A moda de Buenos Aires é o bairro Palermo, variando entre Palermo Hollywood, Palermo Viejo...todos com excelentes restaurantes, boates e gente bonita.



PUERTO MADERO

Puerto Madero é zona bonita e gastronômica, que, de certa forma, " matou " muito da Recoleta. Assim, é um point de muita coisa... entre outras : você gosta de um bom ambiente & frutos do mar ? é o caso do " Parolaccia del Mare " , na Av. Alicia M Justo, 1170 !


( Eunice Tchiedel do Valle )



GOSTA DE CORRER ?

Prá quem é chegado numa corridinha... para correr com os cheiros de Buenos Aires ( os bons, é claro... ) , curtindo o visual e o bom astral, a dica é o Parque de Palermo, sempre com muita gente bonita e elegante fazendo o mesmo.

Prá quem gosta de street - eu, por exemplo - a Recoleta é ótima, só tem que ficar de ôlho nos cachorrinhos dos vips, adoram perninhas brasileiras.



FEIRA DE SANTELMO

Passei por lá esta semana... continua imperdível, tem tudo o que precisa, as coisas mais disparatadas em milhões de tendas, lojas, galerias, barracas, panos no meio da rua...
restaurantes, bistrôs, carrocinhas de cachorro-quente...

Cara, tem que ir lá, e pronto.



GOSTA DE CORRER II

Esta semana corrí em Palermo Viejo... muuuuito bom ! Plazita Serrano como ponto de partida, você vai trotando pela calles da região, e seus bistrôs, boutiques caras ( e lindas ) , bem como, arrramm, lindas argentinas.

Tá bom, lindos argentinos também, arghhh.



ARTE

Gosta de arte ?
Uma dica, que mistura ser filho de professora de pintura com ter ouvido de diversos experts: Galeria GC , na Suipacha. O marchand é uma simpatia, tem muuuuita coisa boa e, quando não tem o que você quer, dá todas as barbadas prá você encontrar.
Procure o Gianni Campochiaro (o GC do nome da Galeria...) e conheça um marchand que é esquiador e fotógrafo de extreme ski! Diz que é amigo da gente e conheça a melhor fonte de dicas do que é IN em Buenos Aires!




Tanto os mestres argentinos como os expoentes da vanguarda artística têm um lugar reservado no circuito de arte de Buenos Aires. Em La Boca é possível visitar a casa de Quinquela Martín, onde são exibidos seus magníficos quadros da atividade portuária do começo do século XX. Do outro lado da cidade no bairro de Belgrano convivem novos espaços de arte com outros institucionais, como o Museu Espanhol Enrique Larreta e o Museu Casa de Yrurtia. No bairro de Palermo é possível encontrar circuitos alternativos, onde convivem a plástica de vanguarda junto às mais audazes propostas de design.



EL SANJUANINO

A melhor empanada da Argentina, um buteco (tipo Trianon dos velhos tempos). Localizado na Recoleta.



GRAN BAR DALZON

Localizado no centro, é um bar bem bacana e cheio de gente bonita.



LA BRIGADA

Restaurante tradicional de carnes, localizado em San Telmo, é peculiar pelo fato de que o garçom corta a carne com uma colher.



PALERMO VIEJO

Palermo Viejo está com tudo... as ruas que saem da Plazita Serrano tem cada vez mais boutiques, bistrôs, livrarias, tudo muito charmoso, uma tentação para quem gosta de moda. As ruas tem nomes de países da América Central - Costa Rica, Honduras, Panamá, etc - e em qualquer uma vale a pena se perder, com cartão de crédito no bolso, é claro.



CHURRASCO ? BIFE ? GRELHADOS ? HUMMMM

A carne argentina merece poemas e óperas... é o paraíso para os comedores de churrascos, bifes, assados, grelhados ou moídos. Não tem ruim, você entra em qualquer boteco, pede um bife de chorizo ( mais ou menos um contrafilé brasileiro ) e, záz : lá vem aquela maravilha fumegante, cheirosa, macia, tenra, suculenta e... bem, só mastigando para captar a veracidade dos comentários acima.



DICA PARA ENTRAR EM EZEIZA

Leve junto notas de 1 dolar. Os carrinhos de bagagem, ao lado da esteira, são pagos... e a máquina aceita notas de 1 dolar - que quase ninguém tem. Sem carrinho, você terá que levar tudo no muque pelos corredores, até passar alfandega e chegar no transfer ou taxi , e isso é um montão.



HORÁRIO DOS SHOPPINGS

As Galeria Pacifico fecham às 21:00 horas, bem como quase todo o comércio da Florida e outros shoppings ; as boutiques de Palermo Viejo vão até um pouco mais tarde, tipo 21:30, 22:00 horas.



BIOGRÁFICOS

Os percursos biográficos organizados pela Subsecretaria de Turismo seguem os passos de três habitantes importantes da cidade: Carlos Gardel, Jorge Luis Borges e Eva Perón. São feitos de ônibus, são gratuitos e duram aproximadamente 3 horas.



VISITAS GUIADAS

As visitas guiadas que a Subsecretaria de Turismo da Cidade oferece mostrando os atrativos arquitetônicos, históricos e comerciais de cada bairro são gratuitas. Elas são feitas a pé.
Consultas ao 4114 5791

Visitas guiadas aos edifícios emblemáticos da cidade

A Catedral Metropolitana, a Casa de Governo, o Congresso Nacional. O Teatro Colón, o Nacional Cervantes e o San Martín. Os museus. O “Zanjón de Granados” de san Telmo, o Cemitério da Recoleta e visitas guiadas noturnas na Reserva Ecológica Costanera Sur. Circuitos temáticos. A igreja de “ San Ignacio”, seu primitivo claustro e outros destacados centros religiosos de diferentes credos.
Entrada franca, ou $2 e $ 10 (pesos).


http://www.bue.gov.ar/recorridos/biograficos



PASSEIO A PÉ

Uma boa opção para conhecer as áreas turísticas de Buenos Aires é fazer o passeio a pé e por conta própria.

Os mapas de percursos Auto-guiados indicam 10 trajetos diferentes.



LUGARES IMPERDÍVEIS
Obelisco

Símbolo de Buenos Aires, o obelisco foi construído em maio de 1936 para comemorar o quarto centenário da primeira fundação da Cidade.


Av. Corrientes e Av. 9 de Julio.




Caminito

A Rua-Museu Caminito, tem 100 metros de comprimento. Está cercado pelos típicos cortiços de la Boca. Durante os fins de semana, artistas profissionais dançam e cantam tangos, e há uma feira de artesanato.
Garibaldi e Olavaria.




Cancha de Boca

O mítico estádio do Club Boca Juniors, um dos clubes de futebol mais populares do país. Foi fundado em 1940 e rebatizado popularmente como “La Bombonera”. Na sala de entrada, há um mural pintado por Benito Quinquela Martín e outro por Pérez Celis.
Brandsen 805
Horário: todos os dias das 10 às 18 horas.
4309-4700 (ramal 717)




Cemitério da Recoleta

O Cemitério da Recoleta é o mais antigo e aristocrático da Cidade. Em seus quase seis hectares estão sepultados heróis da Independência, presidentes da República, militares, cientistas e artistas. Entre eles, Eva Perón, Adolfo Bioy Casares e Facundo Quiroga.
Junín 1760
Horário: todos os dias das 8 às 18h.
Visitas guiadas: gratuitas, no último domingo de cada mês às 14.30h.
Fone: 4803-1594




Jardim Botánico

Inaugurado em 1908, foi projetado e construído no final do século XIX pelo paisagista francês Carlos Thays. Atualmente ocupa uma superfície de 69.772 metros quadrados e alberga aproximadamente 5500 espécies arbustivas, arbóreas e herbáceas distribuídas conforme lugar, origem, família e utilização; jardins de estilo, e cinco invernadeiros.
Av. Santa. Fe 3951 entre as avenidas Las Heras e Santa Fe e a rua República Árabe Siria.
Horário: de segunda-feira a domingo das 8 às 18h.
Entrada gratuita. 4832-1552




Estádio do River Plate

O estádio do River é conhecido popularmente como "El Monumental", já que foi um dos primeiros grandes estádios da América do Sul. Foi inaugurado em 1938 com uma capacidade para 70.000 espectadores. O Clube Atlético River Plate foi fundado em 25 de maio de 1901 no bairro de La Boca. Lá nasceu "La Banda Roja" (A Banda Vermelha). Depois, o clube mudou-se a Palermo e mais tarde a Belgrano. O clube River Plate conta com instalações de primeiro nível, um museu interativo de 3.500 metros quadrados e uma piscina olímpica com teto. São praticadas mais de 60 atividades esportivas, sociais e culturais. O Monumental é sede oficial dos jogos da Seleção Nacional Argentina. Também é sede dos principais test-matches de Los Pumas e de históricos recitais como The Rolling Stones, U2, Amnesty International, Madonna, Guns´n Roses, entre outros.

Av. Figueroa Alcorta 7597 (e Udaondo)
(54 11) 4789 1200
ccallejas@cariverplate.com.ar




Manzana de las Luces

Neste lugar se instalaram os jesuítas em 1633. O conjunto apresenta curiosas galerias subterrâneas construídas durante o século XVIII que conectavam o Cabildo (organismo de governo municipal da época da colônia) e a Catedral com outros edificios. Entre as ruas Perú, Bolívar, Moreno, Alsina, Diagonal Sur




Palermo

É um parque com mais de 80 hectares de bosques centenares. Tem dois lagos artificiais rodeados de vegetação, com aves e plantas aquáticas. O Parque Tres de Febrero possui numerosos subespaços, como o Jardín de los Poetas,o Pátio Andaluz,e o Jardín das Rosas - conhecido como El Rosedal- com 15.000 roseiras de 1189 espécies diferentes.

Av. Libertador e Av. Sarmiento




Praça Dorrego

Nos domingos há uma feira de antigüidades. Também é possível tomar aulas de dança de tango
no centro da praça e na rua mesma.

Defensa e Humberto I San Telmo
Horário: domingos das 10 às 17h




Ponte da Mulher

A nova ponte para pedestres e giratória instalada no Dique 3, de Puerto Madero. O perfil plástico da obra é interpretada pelo autor como a figura de um casal que dança tango. Dique 3 de Puerto Madero (entre as pontes veiculares que dão para as avenidas Macacha Güemes-Perón e Azucena Villaflor-Belgrano)




Reserva Ecológica

É um espaço verde de 360 hectares. Seus terrenos foram obtidos avançando sobre o rio e aterrados artificialmente. Com os anos se estabeleceu de forma espontânea uma grande quantidade de espécies vegetais típicas do Litoral e da ribeira rio-platense, e a fauna característica das lagoas e banhados pampeanos.

Av. Tristán Achaval Rodríguez 1550

http://www.bue.gov.ar/recorridos/imperdibles



GASTRONOMIA - RESTAURANTES

Em Buenos Aires há comidas de diferentes regiões e várias especialidades autóctones. As zonas gastronômicas estão bem marcadas. Costanera Norte e Puerto Madero são conhecidos por suas “parrilladas”. Avenida de Mayo é a zona da comida espanhola. As pizzas mais tradicionais estão na Av. Corrientes. As zonas de praça Cortázar, Palermo Hollywood, Recoleta e Las Cañitas oferecem especialidades de gourmet: pratos bem elaborados, refinados, exóticos.


A que horas é o jantar

Em Buenos Aires é comum que o horário do jantar seja bastante tarde, depois das 22 horas e até de madrugada. Se em cidades como Paris, Nova Iorque ou Londres os restaurantes estão completamente cheios aproximadamente às 20.30h, em Buenos Aires isso não costuma acontecer antes das 23 horas.


Como pedir a conta

Usa-se o gesto quase universal de fazer como se estivesse escrevendo na palma da mão. Às vezes e em alguns lugares de Buenos Aires é comum chamar o garçom também em voz alta com o apelativo “jefe”(chefe) ou “maestro” (mestre).


Gorjeta

A gorjeta não é obrigatória nem tem uma porcentagem fixa, a quantidade que se deixa depende da atenção e da qualidade do serviço.




GUIA GASTRONÔMICO

“Asado” (churrasco)

Carne e vísceras assados nas brasas. Também se chama “assado” à reunião na qual se prepara e se serve este prato. É freqüente então ouvir frases como: "Te convido para um assado".


Pixe-rei

O peixe-rei é realmente uma delícia nacional, não tem equivalente em águas que não sejam as do litoral argentino ou dos rios de planícies e montanhas.


Massas

As massas são uma tradição na mesa familiar dos domingos.
Os nhoques do dia 29:
No dia 29 de cada mês é um costume comer nhoques e colocar uma nota de dinheiro embaixo de cada prato como uma maneira de atrair mais dinheiro.


Pizza

É preparada na fôrma ou na pedra, come-se com talheres ou com a mão. O costume é acompanhar o triângulo saboroso com a “fainá” (uma massa feita com uma farinha de grão de bico).


Doces

O “vigilante” é uma sobremesa tradicional de queijo com doce (de batata doce ou marmelo). O doce de leite (leite cozido durante horas com muito açúcar, de consistência cremosa e cor de caramelo) é utilizado em tortas, sorvetes, molhos para sobremesas, bombons e como recheio de tabletes de chocolate. Mas o mais comum é untar no pão, com manteiga ou sozinho, para o café da manhã ou na merenda, ou comê-lo em colheradas.


Vinhos

Os vinhos argentinos são reconhecidos em toda a região, especialmente o tinto. As bebidas alcoólicas só são vendidas a maiores de 18 anos, em supermercados ou lugares autorizados.




GLOSÁRIO

Fainá

Massa de farinha de grão de bico, dourada, bem fininha e muito gostosa, que se serve com a pizza.


Mate

A infusão característica é o “mate” (chimarrão). Que é preparado despejando água quente em um pequeno recipiente que tem o mesmo nome e que contém erva-mate. Alguns colocam açúcar; mas a maioria prefere "um amargo"


http://www.bue.gov.ar/servicios/gastronomia



PARA CHEGAR À CIDADE


AVIÃO - A cidade tem dois aeroportos:

Aeroparque Jorge Newbery

Os turistas que vêm do interior do país ou dos limítrofes chegam ao aeroporto, localizado na avenida costaneira da cidade, a cinco minutos do centro.

Av. Rafael Obligado s/n
Fone: 4771 0104

www.aa2000.com.ar


Aeroporto Internacional de Ezeiza

Os turistas do resto do mundo são recebidos neste aeroporto, que se encontra a apenas quinze minutos do centro da cidade transitando por uma auto-estrada. Conta com serviços de táxis, “remises”, transfers ônibus durante as 24 horas do dia.

Av. Tte. Gral. Ricchieri s/n
Fone: (54 11) 5480 6111

www.airportnewsezeiza.com




BARCO - Ferry

Diariamente se realizam viagens desde Colônia Montevidéu, República Oriental do Uruguai.

Buquebus

Av. Antártida Argentina 821
Bairro: Puerto Madero
(54 11)4316 6500/5

atclientes@buquebus.com
www.buquebus.com




TREM

Trem para conhecer as zonas de Buenos Aires fora capital o Delta por exemplo e para os bairros distantes o trem oferece um serviço econômico.


(T.B.A) Línea D. F. Sarmiento

Terminal: Once

Bartolomé Mitre 2815



Ferrovías Línea General Belgrano

Terminal: Retiro

Av. De los Inmigrantes 1950



(T.B.A) Línea Gral. Bartolomé Mitre

Estación Terminal: Retiro

J. M. Ramos Mejía 1302



(T.M.R) Línea Gral. Roca

Terminal: Constitución

General Hornos 11



(T.M.S.) General San Martín

Terminal: Retiro

J. M. Ramos Mejía 1552



Metrovías Línea Gral. Urquiza

Terminal F. Lacroze

Av. F. Lacroze y Av. Corrientes



Asociación Amigos del Tranvía

Thompson 510
Bairro: Caballito
4431 1073

aatranvia@hotmail.com
www.tranvia.org.ar





Ferrobaires

4304 3165

www.ferrobaires.gba.gov.ar



Ferrovías

Av. Antártida Argentina 1430
Bairro: Retiro
4511 8833

info@ferrovias.com.ar
www.ferrovias.com.ar





Metropolitano

Gral. Hornos 11 3º piso
4018 0700 / 18 / 19 / 44

eltren@metropolitano.com.ar
www.metropolitano.com.ar



Metrovías

Av. Federico Lacroze 4191
Bairro: Chacarita
4959 6800 / 0800 555 1616

info@metrovias.com.ar
www.metrovias.com.ar



Tren de la Costa

Provincia de Buenos Aires
4732 6000

www.trendelacosta.com.ar



Trenes de Buenos Aires (TBA)

Ramos Mejía 1358
Bairro: Retiro
4317 4400

prensa@tbanet.com.ar
www.tbanet.com.ar



ÔNIBUS

Terminal de ônibus de Retiro: É a principal estação rodoviária e de lá saem todos os serviços de ônibus de longa distância até diferentes lugares do país e até países limítrofes.

Endereço: Av. Antártida Argentina e Av. Ramos Mejía.


Terminal de ônibus de Liniers: situada no bairro de Liniers.
Endereço: Av. Gral Paz 10868 (entre Ventura Bosch e Ibarrola).

Opera com serviços de ônibus com destino ao nordeste e ao centro do país.



PARA SE LOCOMOVER

Existe um sistema de transporte com múltiplas opções, mais de cem linhas de ônibus (que em Buenos Aires são chamados “colectivos) e trens urbanos e interurbanos. Os táxis e “remises” (frota de carros com rádio-chamada que cobram uma tarifa fixa proporcional à distância) são meios de transporte comuns, já que são seguros e comparativamente mais econômicos do que em outras cidades.



ÔNIBUS

O ônibus é uma opção rápida e econômica para se locomover pela Capital. Existem mais de 180 linhas que percorrem a cidade e a interligam com as localidades do Grande Buenos Aires. O serviço funciona com regularidade. Nas áreas do microcentro podem ocorrer engarrafamentos por excesso de trânsito. A passagem pode custar 75 ou 80 centavos de peso e é comprada por meio de uma máquina instalada no veículo, que só aceita moedas.

Horário: O serviço funciona todo o dia embora a freqüência diminui depois das 24h.



TAXI

Você pode pedir um táxi por telefone ou tomar um diretamente na rua. Os rádio-táxis (equipados com sistemas de rádio) são considerados mais seguros. A quantidade é enorme: nas áreas turísticas não há dificuldade para conseguir um em qualquer horário. São reconhecidos facilmente pelas suas cores: preto e amarelo.

Tarifa: compõe-se de um preço inicial e de um adicional por distância e por tempo ;visualiza-se em um relógio. O preço da viagem é em pesos argentinos. Valor aproximado dos trajetos (em pesos argentinos): $ 45 do Obelisco ao Aeroporto Internacional de Ezeiza e $ 10 até o Aeroparque (vôos domésticos); $ 10 da Recoleta até Belgrano e $ 6 do Obelisco a San Telmo.



ALUGAR CARRO

Para alugar um carro é preciso ser maior de 21 anos, ter carteira de motorista vigente com dois anos de antigüidade e um cartão de crédito com um limite suficiente para cobrir o aluguel e a garantia. Garagem ou áreas de estacionamento: é possível alugar vagas por fração de hora, por hora ou por dia. Os preços variam de $ 81 (o menor veículo) a $ 160 por dia. Esses valores incluem 150 quilômetros livres.



REMIS

Automóveis com motorista, ou remises, são a melhor opção para viagens de média e longa distância. A vantagem é que o preço final está previamente estipulado e portanto não aumenta com um engarrafamento, como acontece com os táxis. Do Aeroporto de Ezeiza ao centro: $ 45 pesos aproximadamente. Por questão de segurança convém sempre contratar o serviço em agências autorizadas.



METRO(chamado pelos portenhos de subte)

É a forma mais rápida e fácil de chegar a qualquer lugar. As cinco linhas estão conectadas com as principais avenidas e estações de trens e ônibus e convergem no microcentro da cidade, a principal zona hoteleira e de atrativos turísticos. O pagamento se efetua através de cartões que custam 70 centavos de peso. Esses cartões são adquiridos nas estações, onde também há mapas que indicam itinerários e destinos. O horário é de segunda a sábado das 5 às 22.30h e nos domingos e feriados das 8 às 22h.

Alguns dos dados aqui presentes, foram retirados do site "Mi Buenos Aires Querido" que descreve muito bem estes serviços de transporte.



ATIVIDADES CULTURAIS

A Agenda permite organizar um programa de atividades segundo os gostos, com informação detalhada dos espetáculos.

http://www.bue.gov.ar/agenda



FERIADOS

1 de janeiro - Ano Novo

março/abril - Sexta-feira Santa

1 de maio - Dia do Trabalhador

25 de maio - Primeiro Governo Pátrio

10 de junho - Dia da Soberania Nacional (Guerra das Malvinas)

20 de junho - Dia da Bandeira

9 de julho - Dia da Independência

17 de agosto - Aniversário de morte do Libertador San Martín

12 de outubro - Descobrimento da América (Día de la Raza)

8 de dezembro - Dia da Imaculada Conceição

25 de dezembro - Natal


Dados retirados do site "Mi Buenos Aires Querido"



MUSEUS

Contando os públicos e os privados, em Buenos Aires existem 129 museus.

Dez deles dependem da Secretaria de Cultura do Governo da Cidade e preservam um importante patrimônio


Museo de Arte Hispanoamericano Isaac Fernández Blanco

Suipacha1422.
Fone: 4327 0272 / 0228

info_mifb@fibertel.com.ar



Museo de Arte Moderno de Buenos Aires

Mar. a sáb. y fer., 10 a 20 hs. Dom., 11 a 20 hs.
Av. San Juan 350.
Fone: 4361 1121 // Fax 4300 1448

mamba@xlnet.com.ar



Museo de Artes Plásticas Eduardo Sívori

Mar. a vie., 12 a 20 hs. Sáb., dom. y fer., 10 a 20 hs.
Av. Infanta Isabel 555, frente al puente del Rosedal, Parque Tres de Febrero.
Fone: 4774 9452 / 4772 5628 / Fax 4778 3899

info@museosivori.org.ar



Museo de Esculturas Luis Perlotti

Mar. a vie., 11 a 19 hs. Sáb. dom. y fer., 10 a 13 y de 14 a 20 hs.
Pujol 644.
Fone: 4431 2825 // 4433 3396

museo_perlotti@buenosaires.gov.ar



Museo de la Ciudad

Lun. a vie., 11 a 19 hs. Dom., 15 a 19 hs.
Alsina 412.
Fone: 4343 2123 // 4331 9855

museo_de_la_ciudad@hotmail.com



Museo del Cine Pablo Ducros Hicken

Mar. a vie., 11 a 19 hs. Sáb y dom., 11.30 a 18.30 hs.
Defensa 1220.
Fone: 4361 2462 // Fax 4307 3839

museodelcinedb@yahoo.com.ar



Museo de Arte Popular José Hernández

Mié. a dom., 13 a 19 hs.
Av. del Libertador 2373.
Fone: 4802 7294 // 4803 2384

info_museohernandez@ciudad.com.ar



Museo Histórico Cornelio de Saavedra

Mar. a vie., 9 a 18 hs. Sáb. dom. y fer, 10 a 20 hs.
Crisólogo Larralde 6309.

Fone: 4572 0746 // 4574 1328



Museo Casa Carlos Gardel

Lun., mié., jue. y vie., 13 a 17 hs.
Jean Jaurés 735.
Fone: 4964 2015 / 2071

musocasacarlosgardel@yahoo.com.ar



Museu de Arte Español Enrique Larreta

Endereço: Av. Juramento 2291 (C1428DNK)
Bairro: Belgrano
Fone: 4784 4040 / 4783 2640
Horários: segundas, quartas, quintas e sextas das 14 às 20 hs.; sábados e domingos das 15 às 20 hs.
Ingresso: Geral: $3. Residentes: $1. Quintas, de graça

museolarreta@infovia.com.ar



Museu Histórico Nacional

Endereço: Defensa 1600
Bairro: San Telmo
Fone: 4307 4457 / 3157
Horários: terças a sextas das 11:00 hs. às 17:00 hs; sábados das 15.00 às 18.00 hs. domingos e feriados das 14:00 hs. às 18:00 hs. Ingresso: $ 1

museohistoriconacional@hotmail.com



Museu de Bellas Artes de La Boca Quinquela Martín

Endereço: Pedro de Mendoza 1835
Bairro: La Boca
Fone: 4301 1080
Horários: terças a sextas, das 10 às 17:30 hs.; sábados e domingos, das 11 às 17 hs.

Ingresso: $ 1



Museu Evita

Endereço: Lafinur 2988
Bairro: Palermo
Fone: 4807 9433 // 4804 3168
Horários: terças a domingo e feriados, das 14:00 às 19:30 hs.
Ingresso: bônus contribuição, $2

institutoevaperon@arnet.com.ar



Museo Argentino de Ciencias Naturales

Bernardino Rivadavia
Av. Ángel Gallardo 490
Bairro: Caballito
Fone: 4982 1154 / 4494
Horários: Segundas a domingos das 14 às 19 hs.
Ingresso: $2

macn@musbr.secyt.gov.ar



Museu Nacional de Bellas Artes

Endereço: Av. del Libertador 1473
Bairro: Recoleta
Fone: 4803 8817
Horários: terças a sextas das 12:30 às 19:30; sábados e domingos das 9:30 às 19:30 hs.
Ingresso: de graça

museodebellasartes@ciudad.com.ar



Logo abaixo você encontra o link para a página da Direção Geral de Museus. Ela oferece informação sobre os dez museus que dependem da direção. Tem tradução em inglês.

http://www.museos.buenosaires.gov.ar



TEATROS

A cidade oferece desde o Colón uma das salas líricas mais famosas do mundo até pequenos teatros experimentais. Clássicos, apresentações de vanguarda, comédias musicais, títeres para adultos.



Teatro Colón

Libertad 621
Barrio: San Nicolás
Fone: 4378 7100 // 4378 7132

www.teatrocolon.org.ar



Teatro Nacional Cervantes

Libertad 815
Barrio: Recoleta

Fone: 4816 4224 // 4815 8883



Centro Cultural de la Cooperación

Av. Corrientes 1543
Barrio: San Nicolás

Fone: 4371 4705 // 5077 8077 // 5077 8000



O complexo Teatral de Buenos Aires está composto por cinco teatros que dependem da Secretaria de Cultura. Pode-se adquirir as entradas com os cartões de Crédito Visa, Mastercard e Diners:


Teatro General San Martín

Av. Corrientes 1530
Barrio: San Nicolás
Fone: 0 800 333 5254

www.teatrosanmartin.com.ar



Teatro Alvear

Av. Corrientes 1659
Barrio: San Nicolás

Fone: 4373 4245



Teatro Regio

Av. Córdoba 6056
Barrio: Palermo

Fone: 4772 3350



Teatro de la Ribera

Pedro de Mendoza 1821
Barrio: La Boca

Fone: 4302 9042



Sarmiento

Av. Sarmiento 2715
Barrio: Palermo

Fone: 4808 9479



http://www.bue.gov.ar/actividaes/cultura/teatros



CENTROS CULTURAIS

Âmbitos de experimentação, sedes de ciclos de teatro, cinema ou dança. Usualmente se complementam com foros e mesas redondas. A cidade conta com vários centros


Centro Cultural Recoleta

Junín 1930
Barrio: Recoleta
4803 1040

www.centroculturalrecoleta.org



Centro Cultural San Martín

Sarmiento 1551
Barrio: San Cristóbal
4374 1251 / 59

ccgsm@buenosaires.gov.ar
www.ccgsm.gov.ar



Centro Cultural Borges

Viamonte 500
Barrio: Retiro
5555 5359

info@ccborges.org.ar
www.ccborges.org.ar



Centro Cultural Rector Ricardo Rojas

Av. Corrientes 2038
Barrio: Balvanera
4954 5521 // 4954 5523

rojas@rec.uba.ar
www.rojas.uba.ar



Centro Cultural Konex

Av. Córdoba 1235
Barrio: Retiro
4816 0500

info@fundacionkonex.org
http://www.centroculturalkonex.org



HORÁRIO COMERCIAL

Bancos e agências de câmbio: de segunda a sexta de 10 às 15h.

Lojas: de 9 às 20h. Em alguns bairros é costume fechar ao meio-dia, prolongando-se o horário da tarde. Aos sábados o horário é de 9 às 13 h.

Shopping centers: de 10 às 22h todos os dias da semana, inclusive domingos depois das 12h. Durante os fins de semana as praças de alimentação ficam abertas até a uma da manhã e os cinemas têm sessões que começam a essa hora.

Supermercados: de 9 às 22h. As principais redes abrem também aos domingos, geralmente a partir das 12h.

Restaurantes: o almoço é servido a partir das 13h e o jantar a partir das 21 h. Muitos estabelecimentos oferecem refeições rápidas a toda hora.


Dados retirados do site "Mi Buenos Aires Querido"



FORMAS DE PAGAMENTO

A moeda nacional é o peso ($), dividido em 100 centavos. As cédulas em circulação são de 2, 5, 10, 20, 50 e 100 pesos e as moedas são de 1 peso, 1, 5, 10, 25 e 50 centavos.

Mesmo que o dólar seja aceito em alguns comércios, o câmbio de divisas em moeda nacional se realiza nos bancos e agências autorizadas. Os cartões de crédito mais aceitos são American Express, VISA, Diners e Mastercard



REQUISITOS DE ENTRADA

Não é necessário visto de entrada para turistas. Os visitantes brasileiros deverão preencher uma tarjeta de turismo a ser apresentada na entrada juntamente com o passaporte ou carteira de identidade. A permanência autorizada, em princípio, é de 90 dias.

Os empresários ou viajantes de negócios devem solicitar, nos Consulados argentinos, visto específico que autoriza estadas inferiores ou iguais a 90 dias, prorrogáveis uma vez por igual período.

Para permanência no país por prazos superiores ou com outros objetivos (residência, estudo, pesquisa), deve ser solicitado previamente o visto correspondente nos Consulados argentinos no Brasil.



MATÉRIA REVISTA VIAGEM - BUENOS AIRES

Confira esta belíssima matéria da Revista Viagem e Turismo da editora Abril sobre Buenos Aires:


As duas Buenos Aires

Uma é a do Caminito, do Obelisco, do alfajor, dos pacotes. A outra é a de Palermo Viejo, San Telmo e...dos portenhos, digamos. Um conselho? Fique com ambas

As lojas são lindas, as ruas, sempre simétricas e com quarteirões de exatos 100 metros, idem; há pouquíssimos postes a ferir a paisagem e os prédios seguem um padrão estilístico; placas de rua e até os números das casas são uniformes; come-se bem e bebem-se vinhos excelentes - e não se pagam 10% na hora da conta; táxis não são proibitivos, muito pelo contrário; algumas livrarias são verdadeiros palácios - e alguns palácios viraram hotéis; os ônibus são velhos e poluentes, é verdade, mas estão por toda a parte, sem prejuízo da expansão do metrô e do serviço de trens. Toda uma área da cidade é tomada por parques, e Puerto Madero é um exemplo de recuperação urbana. Sua música típica é complexa. No futebol, até nisso, têm uma habilidade tática inigualável. Há assaltos, como em qualquer lugar do mundo, mas a percepção de violência é baixa. Quer reconheçamos ou não que os portenhos têm uma cidade melhor que as nossas, a hora nunca foi tão propícia: com os preços dos pacotes, das passagens aéreas e a depreciação do peso argentino, conhecer Buenos Aires é levar lebre por gato. Ainda mais quando ela se oferece em duas versões: para iniciados e iniciantes. A seguir, as Buenos Aires que existem dentro de uma só capital.


Por: Paulo Vieira | Foto: Pablo de Souza
Matéria publicada na Revista Viagem e Turismo



A primeira vez que vi você

Obelisco, o Caminito, as Galerías Pacífico, o cassino. Bienvenido a Buenos Aires querida das operadoras brasileiras


Você nunca pôs os pés na capital argentina, mas já ouviu n vezes que não há nada mais europeu na América do Sul. Sim, é fato. Outro fato é que este é o destino internacional mais em conta para ir. Com nosso real apreciado e o peso deles não, passagens aéreas estão baratas, viajar a Buenos Aires é coisa para não se pensar muito. Um fim de semana, por que não? Gasta-se pouco em avião, um pouco mais em hotel e quase nada no resto. Restaurantes baratos, passeios baratos, táxis quase de graça. Buenos Aires é a Europa possível, a Paris dos subtrópicos, sem o cansaço da viagem, a espoliação do euro, a nóia terrorista. "Bárbaro", como eles dizem, naturalmente. Pouco menos de 400 mil brasileiros estiveram lá em 2006. É verdade que nosso caos aéreo é compartilhado com eles - há uma fila inexplicável na imigração, por exemplo, na hora de entrar ou sair do país. A CVC, maior operadora do Brasil, tem Buenos Aires como seu principal destino internacional desde 2004. "Buenos Aires é a Porto Seguro estrangeira", diz Valter Patriani, vice-presidente da CVC. "O sucesso da cidade deve-se ao preço. Não só do pacote, mas o que se gasta lá - comida, táxi, compras, vida noturna."

Parte dos pacotes vendidos no Brasil para este destino de "massa" não condiz com a sofisticação e a quantidade de atrações da capital argentina. Eles quase nada incluem: apenas aéreo, traslado, hotel e um city tour. Somos enviados para hotéis no Microcentro ou no Congresso, alguns em estado de debacle, outros em dissintonia com os novos e muito modernos ares da cidade. Ou são velhos e hotelões demais, sem charme (Waldorf, Regis, de Las Naciones, Republica, Napoleon, Facón Grande) ou são caros demais (Four Seasons, Alvear, Sofitel, Hilton). Ficam de fora lindos hóteis-butiques e guest houses que dá vontade de morar, em bairros legais como Palermo Viejo e Las Cañitas.



O CITY TOUR

Sobra então o city tour. No caso dos pacotes baratos, ele é chamado de "panorâmico" - e, como sugere o nome, é um pouco superficial. A VT elaborou uma série de dicas para complementar seu tour eajudar você a entender melhor a cidade.


Estive, em fevereiro, num city tour da CVC, junto com cerca de 20 brasileiros. Florencia, uma guia simpática e de português bastante aceitável (vez por outra errava a tônica, como em "epidêmia") e formada para tal - exigência para exercício da profissão na Argentina -, nos recebeu num microônibus na Calle Suipacha. Estávamos a passos da Plaza Embajada de Israel, local onde ficava a embaixada antes de ir aos ares num atentado que deixou 29 mortos em 1992 (dois anos depois, outra entidade judaica seria atacada, e 85 pessoas morreriam). Nada foi dito, talvez para não prejudicar o astral do passeio. Dali, atravessamos a larguíssima 9 de Julio (a avenida do Obelisco) e pegamos a Libertador, em direção aos bosques de Palermo, onde está o Jardim Japonês, e, mais à frente, o pequeno e adorável Jardim Botânico. Vimos da janela gente levando dezenas de cachorros, um torso do escultor colombiano Fernando Botero, a bonita Flor de Prata mecânica (que abre pela manhã e fecha ao anoitecer), o muito famoso Cemitério da Recoleta, o Palais Glasse, onde o tango, que surgiu nos prostíbulos da cidade na virada do século, foi dançado pela primeira vez pela elite portenha. Ao passar em frente ao Malba ("tem 200 peças", disse a guia), o principal museu de arte moderna e contemporânea do país, lembre-se de que ali está o Abaporu, a tela de Tarsila do Amaral que tanta polêmica suscitou ao deixar o Brasil para integrar a coleção da instituição: foi a maior negociação da história da arte brasileira.

Se o que se espera, acima de tudo, é tirar fotos - e é mesmo essa a regra desse tipo dja pe passeio -, até que chegamos rápido à nossa primeira parada, a Plaza de Mayo, onde está a Casa Rosada, a Catedral, o Cabildo (a repartição espanhola nos tempos coloniais) e onde as Mães de Maio tributam seus filhos desaparecidos às quintas, à tarde.

Eis o que se passou: a guia apontou para a Catedral (que tem as formas de um templo grego, com 12 colunas clássicas, cada qual representando um apóstolo) e nos deu 15 minutos para conhecê-la. Não nos acompanhou, como a nos dar uma bem-vinda liberdade (eu, que já havia estado ali, aproveitei para matar meu jejum com um típico café portenho: café com leite e media-lunas). Sobre a praça, a guia depois nos disse que foi dali, na segunda fundação da cidade, que Buenos Aires se desenvolveu; que é o lugar onde as pessoas celebram o futebol ou derrubam governos. Ao darmos a volta, localizou na Casa Rosada o famoso balcão onde Evita magnetizava os "descamisados" e chorava pela Argentina.

Saiba que prédios históricos passam por reforma para o bicentenário da Revolução de Maio (que levaria à independência seis anos depois), em 2010, e por isso estão fechados, como o Museu da Casa Rosada, o Cabildo e o Teatro Colón.

Para quem pretende retornar outro dia à Plaza, vale conhecer os passeios autoguiados que podem ser lidos (ou ouvidos) no site oficial de turismo de Buenos Aires: bue.gov.ar. Se você alugar um celular, pode ouvir as explicações sobre a praça; se tiver um MP3 player, basta carregar os arquivos de áudio, no site, e ouvi-los durante o passeio. De volta ao ônibus e tendo que driblar uma manifestação de piqueteiros, outra instituição argentina, seguimos por San Telmo, onde o tango surgiu, em direção à Boca, bairro do famoso clube de futebol Boca Juniors e do Caminito, segunda e última parada.



TANGO SOB O SOL

A parada no Caminito foi um pouco mais longa, mas, novamente, sem muita assistência. Não havia ali tanta explicação histórica a ser dada, é verdade. Mas saiba que aquele é um dos epicentros da imigração italiana, fundamental para a colonização da Boca e do país (a Argentina foi, após os Estados Unidos, o país que mais recebeu imigrantes em todas as Américas no começo do século 20). São interessantes os conventillos, casas com pátio interno onde viviam as famílias recém-chegadas que hoje dublam como galerias com lojinhas e ateliês de pintores como o surrealista Roque Menaglio. O Caminito é um playground turístico, e não há como passar os 30 minutos da parada entediado. É preciso driblar os dançarinos de tango que vão propor posar para fotos - ou, melhor, entrar no clima. Conversei com Neri e Yanina, casal de namorados que ganha a vida dançando no Caminito. Ele é técnico em eletrônica e ela, aos 19 anos, vive apenas de sua simpatia nas ruas. Reclamaram da concorrência ("há hoje uns 20 outros casais aqui") e, enquanto falavam comigo, trabalhavam. Yanina aproveitava a fenda imensa de seu vestido vermelho para envolver com sua perna (que naquele modelo e mesmo sob um sol fora de propósito era a mais bonita do mundo) os turistas babões que parávamos ali para as fotos.

A volta do tour passou à beira do Riachuelo, o rio que nossa guia, num arroubo de sinceridade que conquistou pontos, disse ser um dos mais poluídos do mundo, "junto com o Tietê". Mas logo vía­mos Puerto Madero, o bairro conquistado à decrepitude por meio de um incrível projeto urbanístico, com prédios muito bonitos e hotéis luxuosos, como o Faena e o Hilton. Ao término, perguntei para vários casais o que tinham achado da experiência -100% de aprovação, sem ressalvas.

Dois outros "atrativos" são normalmente oferecidos nos pacotes brasileiros a Buenos Aires. O primeiro é um talão com cupons de desconto para as lojas das Galerías Pacífico. A galeria do calçadão da Calle Florida, famosa pelos afrescos nas abóbodas do teto, não tem o último grito da moda argentina, mas marcas como Yves St Laurent, Tommy Hilfiger e uma loja de acessórios da Ferrari. O melhor é que as lojas fazem parte do sistema Tax Free, e o benefício já se aplica a compras equivalentes a 50 reais. Mas o tal talão de descontos (10%, em geral) consegue-se na recepção, basta pedir.

Outro "atrativo" dos pacotes vendidos aqui é a ida ao cassino flutuante de Buenos Aires. A entrada, contudo, é gratuita, e os pacotes não fornecem o traslado. Aproveite sua ida a Puerto Madero e siga ao cassino. Ele está exatamente sobre o rio, que não faz parte da cidade de Buenos Aires. Ocupa os três andares de um barco, o "Estrella de la Fortuna". Estive naquele ambiente esfumaçado - hoje a lei antifumo é bastante rigorosa por toda Buenos Aires -, de tapetes puídos e 100 mesas de roleta, bacará, dados e máquinas caça-níqueis. Um cassino sem arquitetura imponente, bailarinas de cancã ou show com Tony Bennett. Sobra a avidez pela plata, sempre um programaço para os brasileiros que lá vão.

O opcional mais comum dos nossos pacotes é um jantar com show de tango. Você pode também contratar esse espetáculo lá - há inúmeras possibilidades, dos mais intimistas Bar Sur e El Viejo Almacén, em San Telmo, aos gigantes La Esquina de Carlos Gardel, em Abasto, ou o Michelangelo, também em San Telmo. As casas funcionam diariamente, por isso não se preocupe em reservar com antecedência. Nos grandes shows, o roteiro promove uma espécie de pot-pourri histórico, passeando pela história do gênero desde a época em que era dançado apenas por homens, enquanto esperavam sua vez nas muitas casas de tolerância do porto de Buenos Aires. Estive no Madero Tango, em Puerto Madero, ambiente moderno e um tanto asséptico, em que a música também tem proeminência. Astor Piazzolla e o tango eletrônico desta década são muito lembrados - e bailados por cinco parejas sem afetação e com figurinos despojados. Um dos solistas lembra o Cigano Igor. É bonito o ato em que um casal aparece na platéia contra o vidro que dá para o dique de Puerto Madero (com a Ponte da Mulher, projetada pelo espanhol Santiago Calatrava, ao fundo). Uma estética de filme dos anos 80 com Mickey Rourke e saxofones, mas tudo bem.



Pra viver um grande amor

Palermo Viejo, San Telmo, Belgrano, Recoleta, Las Cañitas - não se apaixone pro Buenos Aires, se for capaz


Para uma ótima estada em Buenos Aires, ao deixar Ezeiza, o aeroporto internacional a cerca de 30 quilômetros da cidade, tudo o que você precisa dizer ao taxista (ou o motorista do seu "remis") é "Palermo Viejo". O bairro, limitado pelas avenidas Santa Fé, Scalabrini Ortiz, Dorrego e Córdoba, é possivelmente o conjunto de quarteirões mais legal do mundo. Lower East Side? Chelsea? Alfama? Marais? Ipanema? Quadrado e Invasão? É difícil achar uma reunião mais bacana de quadras simétricas e planas que a desse distrito portenho, onde ficam os melhores hotéis-butiques, restaurantes, bares-restaurantes, cafés, livrarias, brechós, papelarias, galerias de arte da capital argentina.

Se você tem apenas dois dias na cidade, não hesite em gastá-los na Calle Honduras, com incursões à vizinha El Salvador e às transversais Malabia, Armenia, Gurruchaga, Borges e Thames. E, no sábado, curta as barracas de antigüidades e design no entorno da Plazoleta Cortázar.

Palermo Viejo é um lugar abençoado pelo deus Cool. Com poucas exceções - como em sua subdivisão "SoHo", onde se instalou, por exemplo, uma novíssima loja da Diesel -, todo mundo de alguma forma está na moda, talvez por não fazer qualquer esforço para isso. Dos sabonetes artesanais e coloridos da Sabater - verdadeiros objetos de design -, um negócio que passa de pai para filho e hoje tem filial em Barcelona, aos bichos de papel machê da Nomeolvides, há ali, sem forçar a conta, muitas dezenas de lugares onde vale a pena deixar-se ficar por algum tempo.

O bairro epitomiza o melhor de Buenos Aires. Há restaurantes de comida fusion de sabores irreproduzíveis (e ambientação terrivelmente descuidada), como o Sudestada, e parrillas tradicionais, como a do Clube Eros, um dos lugares mais baratos de toda Buenos Aires; diversos cafés com internet wi-fi, como o Bar 6 - com ou sem notebook, vale experimentar os cereais do café-da-manhã dali -, e lindas livrarias com cozinha de autor na hora do almoço, como a Eterna Cadencia; bares com sofás dispostos na calçada e floriculturas como a Savia, de Ariel Montagnoli, para quem o que importa mesmo é mostrar a "beleza das plantas mortas" e ensinar aos clientes "o ciclo de vida" das flores.



ARTE, OU QUASE ISSO

Por todos os lados, vielas e ruas estão cheias de lojas de objetos de arte ou supostamente isso, como as garrafas de uma lojinha na Passaje Russel, ou as brincadeiras conceituais da Objetos Encontrados, na Thames - a loja é tão pequena que é nos bancos do recuo da calçada que os artistas/vendedores dividem a cuia de mate, as garrafas de vinho e o violão com os visitantes. À noite, as casas do bairro entram sem dificuldade alguma pela madrugada, caso do delicioso Acabar, repleto de jogos de estratégia (informação útil: o War argentino chama-se TEG, e o tabuleiro tem territórios diferentes do nosso, como Kamchatka - daí o nome do lindo filme Kamchatka, com o pop star argentino Ricardo Darín). Diferentemente dos bares no Brasil, onde é a freqüência que os torna interessantes, o nível dos de Palermo é alto já de fábrica: você topa com ótimas cervejas artesanais, por exemplo, na Cerveceria Clandestina, ou com um rodízio de uísques especiais (ou vodca) com direito a boa cozinha no 878 (aqui não há placa na rua: é preciso tocar a campainha). E isso porque não se falará aqui de vinho - deixemo-lo para Mendoza. Na madrugada bombam bares como o Kim y Novak, um desses lugares em que os Stones cogitariam dar um pocket-show surpresa, caso conseguissem convencer o proprietário. Em todos os restaurantes, você é atendido por garçonetes lindas e tatuadas (uma revista americana, usando uma referência démodé, chamou-as de Gabriela Sabatini), que não lhe cobram a taxa de serviço.

É difícil conseguir se hospedar em Palermo Viejo. Os hotéis-butique BoBo, Malabia 1515, Krista, Five e Home, este com sua piscina hiperhypada, estão sempre cheios, especialmente porque a cidade e o bairro não saem mais da mídia especializada internacional. Pode-se tentar os que vão brotando na pequena Las Cañitas - bairro com alma de Palermo para o lado de Belgrano -, como o 248 Finisterra. Outra alternativa é alugar um apartamento mobiliado. Eu e o fotógrafo Pablo de Sousa ficamos num desses por dez dias para a apuração desta reportagem. Era um estúdio novo e funcional, com ótima cobertura wi-fi e direito de uso de um celular pré-pago, acertados com uma agência especializada da internet, a HomesBa (homesba.com). Mas fique atento, que, como nos lançamentos imobiliários do Brasil, os bairros têm seus limites estendidos inadvertidamente. Eu pensava que iria me hospedar em Belgrano, nas vizinhanças de Palermo, mas acabei em Nuñez, uns 2 quilômetros adiante; da mesma forma, um outro apart-hotel que me interessou em "Palermo" ficava na verdade em Villa Crespo, a extensão de Palermo a oeste da Córdoba. Pena que esse tipo de negócio, em expansão na Argentina, não se aplique muito bem para uma estada curta.

E vale muito ir a Buenos Aires mesmo num fim de semana. Com a proximidade da Argentina e a força do real perante o peso, não há lugar no mundo de melhor custo/benefício para os brasileiros. Bares e restaurantes baratos, lojas excelentes, táxis quase de graça. Só não seja muito exigente com a manutenção dos carros: há em circulação muitos táxis velhos e barulhentos que jamais ouviram falar de ar-condicionado; mas no banco da frente vai gente boa, como Mario Palazzo, um respeitável senhor, entusiasta de Roberto Carlos, com quem improvisei um dueto em plena Avenida Cabildo.



PAMPA Y VIA

Por mais barato que sejam os táxis, saiba que caminhar na cidade é um grande prazer, seja nos parques, seja nos quarteirões sempre planos (diz-se que só há quatro elevações em toda Buenos Aires, as chamadas "barrancas"). Uma delas, que se tornou um pequeno parque, está em Belgrano, com direito até a coreto, onde velhinhos costumam dançar tango mesmo sob o calor africano de verão. Ali é onde a Calle La Pampa cruza a linha do trem, que todos chamam de "Via". Por isso, caso você ouça algum portenho falar que ficou "pampa y via", você já sabe, primeiro, onde a esquina se localiza. E sabe agora também que a expressão significa ficar "liso" - sem grana - em lunfardo, a gíria boêmia, muito usada nas letras de tango. É que, décadas atrás, funcionava naquela confluência uma roleta: as pessoas perdiam seu dinheiro e pediam para os amigos os resgatarem ali, na "Pampa y Via".

Mais do que viver uma fantástica retomada da terrível crise de 2001, com taxas de crescimento chinesas (9%, em média, ao ano), a Argentina é hoje um case turístico. Buenos Aires recebe anualmente 2 milhões de estrangeiros, e capricha na estrutura - para este ano, por exemplo, verá surgir o primeiro hotel cinco-estrelas da América Latina focado no público gay. Bairros como San Telmo, onde aos domingos acontece a famosa feira de antigüidades - com direito a milonga (bailes abertos de tango) no começo da noite -, são cenário para a proliferação de guest houses, hotéis bed and breakfast e hostels que poderiam estar no Mitte, o distrito mais pujante de Berlim. A municipalidade também faz sua parte. São exemplares os tours gratuitos por bairros e parques. Participei de um lá mesmo, em San Telmo, numa sexta, com explicações sobre a arquitetura típica imigrante, informações sobre ex-moradores ilustres (como o Quino, o "pai" da Malfada), e algo de cultura geral - entrego: foi aí que aprendi meus primeiros rudimentos de lunfardo.

Os empresários locais também capricham. O Boca Juniors, o mais popular clube de futebol argentino, onde Maradona despontou para o mundo, tem um tour invejável pelas dependências do seu mítico estádio La Bombonera e clube. Seu museu dá um banho em qualquer um dos brasileiros. A história do clube é mostrada num lindo painel de fotos e num set de monitores de TV em 360 graus. É emocionante entrar em campo com o time principal, ouvindo a aclamação da hinchada (a torcida), seguindo uma câmera subjetiva de arrepiar.

Pertinho do Boca, do Caminito e do ótimo restaurante El Obrero, querido do cineasta Win Wenders e do Bono, fica Puerto Madero, o mais bem-sucedido projeto de reurbanização da cidade. Pode-se chiar que a região roubada ao Prata foi entregue aos tubarões - os hotéis Hilton e o belíssimo Faena, com sua atmosfera fin-de-siècle 20, têm diárias altas, e os restaurantes, como o Cabañas Las Lilas, do grupo brasileiro Rubaiyat, estão entre os mais caros da cidade. Mas mesmo aí há espaço para uma reserva ecológica (cujos lagos estavam muito secos no verão) pública e, junto do cartão-postal que é a Ponte da Mulher, desponta um comedor. Trata-se de um quiosque de comida simples, comandado pelo agitador profissional Raul Castells, que provê refeições de graça aos necessitados. "Lutamos por uma Argentina onde os cachorros dos ricos deixem de estar mais bem alimentados que os filhos dos pobres", eis o slogan do estabelecimento.

É improvável que essa luta tenha, ao final, bom termo. Se a pobreza bonarense não tem a indecente escala brasileira, é bem verdade que carroceiros reviram o lixo (que não é separado) por todos os lados, à noite; que favelas marcam a periferia da cidade, e que a cumbia villera, adaptação do ritmo dançante colombiano a uma temática gangsta, um dia pode acabar com a hegemonia atávica do tango até entre a classe média. Por outro lado, os perros, levados a passear em grupos de dez, até 15, por profissionais contratados, parecem mesmo muito saudáveis em seus tours pelas ruas elegantes da Recoleta.



ENFIM, EVITA

É na Recoleta onde estão hotéis de luxo, como o novo Park Hyatt, que restaurou e ocupou uma mansão secular - a imensa casa vizinha permanece "autóctone", habitada por uma única senhora -, que a viagem pode ganhar um arremate perfeito. O cemitério homônimo está para Buenos Aires assim como o Père Lachaise para Paris: há tantos ilustres ali que os tours guiados ignoram solenemente túmulos até de pais da pátria. É o caso do ex-presidente Domingo Sarmiento, que dirigiu o país na década de 1860, mandou pintar de rosa a Casa Rosada e deu enorme impulso ao ensino público (diz-se que todas as cidades argentinas têm ao menos uma escola com o nome de sua mãe, Paula Albarracín de Sarmiento). Mas há duas "estrelas" inescapáveis no tour do Recoleta: Rufina Cambaceres, que morreu no dia de seu aniversário de 19 anos, e que, para muitos, foi enterrada viva - ela teria sofrido apenas uma crise de catalepsia, o que suas mãos e rosto arranhados na luta pela própria vida dentro da sepultura evidenciariam; e, claro, Eva Duarte Perón, Evita, a primeira-dama que morreu de câncer aos 33 anos, em 1952, e cujo jazigo é simples demais para a adoração messiânica que desperta - e para a epopéia que foi resgatar seus restos mortais.

Se a vida de Evita deu filmes, a luta por seus despojos deu livros (Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez, entre outros). Seus restos só voltaram à Argentina nos anos 70, pelas mãos dos guerrilheiros Montoneros, que, para tal, seqüestraram os despojos de Pedro Aramburu, o militar que apeou Juan Domingo Péron do poder em 1955. Foram frenéticas trocas de esconderijo e fugas improváveis até que conseguissem trocar o que sobrou de Aramburu pelos restos de Evita.

Num café elegante da vizinhança, refletindo depois sobre a intrincada e dramática história do país, você talvez chegue à conclusão de que sua relação com Buenos Aires está apenas começando.



A cidade de Borges

Nos passos da Buenos Aires do grande escritor argentino


O táxi subiu a Avenida Juan de Garay e parou junto a um grupo de prédios perto da Plaza Constitución. A esquina me pareceu familiar, embora eu jamais tivesse colocado os pés ali. Quando vi a placa Calle Tacuarí, me dei conta. No livro O Aleph, o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) elege o porão de um dos prédios mais anônimos dessa rua anônima para local do místico ponto que contém todos os outros pontos" do universo.

Para qualquer admirador de Borges, passear por Buenos Aires é seguir as marcas de sua imaginação fabulosa. Borges amava errar pelas ruas de sua cidade natal. Em meus sonhos, eu nunca deixei Buenos Aires", escreveu. Y la ciudad, ahora, es como un plano/ de mis humillaciones y fracasos/ desde esa puerta he visto los ocasos / y ante ese mármol heaguardado en vano."

Mas procurar evidências de Borges em Buenos Aires é, para usar uma imagem borgiana, como tentar ler um palimpsesto: você deve olhar o que está por cima para sentir algo por baixo.

Tome a rua na área de Palermo onde Borges cresceu, conhecida na época por Serrano e agora renomeada Jorge Luis Borges. Hoje a vizinhança é talvez a mais chique de Buenos Aires, cheia de bares da moda, restaurantes e butiques freqüentados por jovens artistas. Mas que se filiam talvez mais aos escritores contemporâneos Paul Auster e Martin Amis do que a Borges.

Em sua juventude, Palermo ficava no surrado norte da periferia da cidade",um lugar semi-rural freqüentado por gauchos e criminosos que bebiam muito e brigavam nas tavernas da vizinhança. Essas histórias de brigas fascinavam Borges, que mais tarde deixou que as facas e punhais se infiltrassem em suas histórias e poemas.

A propriedade da família ainda existe, na Borges, 2 135, mas ela não está aberta ao público. Vê-se ali apenas uma pequena placa. Um pouco acima, no entanto, na esquina da Guatemala, está o lugar que, em poema do Cuaderno de San Martín, de 1929, ele imaginou como sendo o lugar da fundação mítica de Buenos Aires", a cidade que julgou ser tão eterna quanto a água e o ar".

Os cafés que ainda são característicos da cidade eram freqüentados por Borges e seu círculo. Alguns desapareceram; o La Perla, no bairro judeu Once, virou pizzaria. E o Tortoni, na Avenida de Mayo, transformou-se numa arapuca para turistas na qual um Borges de cera está sentado à mesa com Carlos Gardel, o maior de todos os cantores de tango.

Mas o Café Richmond, na Calle Florida, 468, ainda preserva um pouco da atmosfera dos anos 20, quando Borges era o editor de uma revista de literatura de vanguarda, a Martin Fierro, e passava um bom tempo lá com seus companheiros escritores. Como o nome sugere, a sensação é de se estar em um clube inglês, com as prateleiras de madeira trabalhada e gravuras de cenas de caça à raposa. Isso devia tocar o escritor, que se orgulhava dos seus antepassados ingleses do lado materno da família.

O círculo de Borges incluía o jovem escritor Adolfo Bioy Casares (com quem escreveu contos policiais sob o pseudônimo de Bustos Domecq) e a mulher de Bioy, a poeta Silvina Ocampo. Mas talvez o mais fascinante e influente dos seus amigos tenha sido o poeta e pintor Xul Solar, a quem Borges chamou uma vez de o nosso William Blake". Solar, 12 anos mais velho que Borges, também inventava universos imaginários e era apaixonado por línguas e especulação esotérica. Na década de 50, Borges rumava para a casa da Calle Laprida, 1212, onde os dois homens conversavam sobre cabala ou sagas escandinavas. O local é hoje um museu dedicado ao trabalho do artista, contendo mais de 100 pinturas, plenas de utopias, cidades flutuantes e homens-máquina, além de seus objetos imaginários".

Visitar esses e outros lugares onde Borges viveu ou trabalhou ajuda a avaliar como era potente sua imaginação. Em 1937, por exemplo, com sua carreira literária aparentemente estagnada, tornou-se catalogador na Biblioteca Municipal Miguel Cane, onde ficou até 1945. Com pouco a fazer, Borges ocupou uma pequena sala sem janelas no segundo andar, e ali escreveu muitos textos de sua Ficções, como o conto A Biblioteca de Babel".

Borges mais tarde escreveu que inumeráveis livros e prateleiras que aparecem no conto são literalmente aqueles que eu tive sob os meus cotovelos". Como a sala na qual escreveu a obra, que também pode ser visitada, a própria biblioteca é pequena, com uma limitada coleção de livros. Fica na Avenida Carlos Calvo, 4321, em Boedo. Para trabalhar, Borges tomava o bonde 7, no qual, muitas vezes em pé, lia Dante. O bonde não sobreviveu, mas uma linha de ônibus - a 7 - faz a mesma rota.

Depois da queda do ditador Juan Domingo Perón, em 1955, Borges foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, um lugar que parecia ideal para sua Babel - uma estrutura octogonal com quatro andares em cujas colunas estavam gravados nomes de grandes, como Shakespeare, Goethe e Platão. O lugar, na Calle Mexico 564, em San Telmo, é agora o Conservatório Nacional de Música e está aberto à visitação. Ao lado fica o quartel-general da Sociedade Argentina de Escritores, onde Borges às vezes fazia leituras públicas. Hoje a entidade divide o espaço com um restaurante. Numa parede, uma placa de metal lista a diretoria da sociedade entre 1942-44, da qual Borges fazia parte.

Além das facas, outro elemento borgiano por excelência é o felino. Desde a infância, gatos e tigres o fascinavam. Em suas visitas ao zôo de Palermo, e isso até seus 60 anos, Borges recitava poemas para mulheres que quisesse impressionar.


"Ele vem e vai, delicado e fatal, carregado infinita energia/ Do outro lado das firmes barras nós todos vigiamos..."

Hoje ali vive um solitário tigre-de-bengala, que parece passar a maior parte do tempo dormindo sob uma árvore.


O escritor viveu quase 40 anos no 6 B da Calle Maipú, 994, e foi lá, quando correspondente do [semanário americano] Newsweek, no começo dos anos 80, que por duas vezes o entrevistei. Lembro do apartamento pequeno e austero, sem televisão ou rádio. Borges insistiu para ser entrevistado em inglês, que falava com o que dizia ser o "acento de Northumberland", herdado da sua avó inglesa.

O apartamento não é aberto ao público, mas a livraria Cidade, onde ia às tardes, fica defronte. Há ali primeiras edições de vários de seus livros, bem como fotos do escritor sentado em uma cadeira que ainda ocupa um lugar de honra na loja, como a aguardar o retorno de Borges. Se a octogenária proprietária, Elizabeth Alonso, estiver em dia bom, ela talvez possa ser convencida a relembrar um pouco sobre seu amigo e mais célebre freguês.

Mas a mais vívida lembrança de que Borges foi alguém de carne e osso está na Calle Paraguay, 521, num estúdio de retratos para documentos. Olhe a coleção de fotos na vitrine. Na fileira de cima está o escritor, mirando um mundo para ele certamente tão estranho que se obrigou a inventar um próprio.


Por: Paulo Vieira | Foto: Pablo de Souza
Matéria publicada na Revista Viagem e Turismo


http://viajeaqui.abril.com.br/vt/materias/



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Fonte: Jornal Zero Hora, 06/02/2009

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